O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, afirmou que gostava que Portugal tivesse projetos com visibilidade em Marrocos, como têm a França e Espanha, e antecipou que as exportações nacionais para este mercado poderão chegar aos mil milhões de euros nos próximos anos.

«Eu gostaria, pela minha parte, que Portugal tivesse projetos com visibilidade em Marrocos, como a França e a Espanha têm, sem ameaçar ninguém, mas com a nossa própria qualidade e ambição», disse Paulo Portas, em Casablanca, no primeiro dia da sua visita a Marrocos, onde lidera uma delegação portuguesa que integra 45 empresas.

O governante destacou a importância do mercado marroquino e adiantou que «em quatro anos», Portugal dobrou as exportações para aquele país do Norte de África, fechando 2014 nos 600 milhões de euros, e estimou um aumento para mil milhões de euros das exportações nos próximos anos.

Neste périplo "non-stop", como a classificou o governante, o ponto de partida foi a visita à primeira fábrica da farmacêutica portuguesa Tecnimede em Marrocos, que representa um investimento de 17 milhões de euros, e onde falou sobre as relações de Portugal com aquele país.

Com Paulo Portas seguem também dezenas de empresários de setores tão variados como agro-indústria, farmacêutico, energia, engenharia e construção, ambiente, hotelaria, moldes e materiais de construção.

Ao todo, são 45 empresas, entre elas a Águas de Portugal, Galp Energia, REN, Efacec, Grupo Casais, Portucel, Grupo Pestana, Frulact, Sovena e Tecnimede.

«Isso é um sinal de que as empresas querem apostar neste mercado, querem crescer neste mercado e querem exportar produtos e marcas portuguesas para Marrocos», afirmou.

Na agenda do vice-primeiro-ministro para este dia e meio, estão ainda encontros com o Chefe de Governo marroquino e seis ministros.

Paulo Portas sublinhou os investimentos da farmacêutica Tecnimede, afirmando que a empresa assegura cerca de 700 postos de trabalho, exporta mais de 55% daquilo que produz e fatura mais de 115 milhões de euros ao ano.

«Aquilo que a Tecnimede está aqui a fazer no domínio farmacêutico, fazem muitas empresas portuguesas noutros setores em Marrocos. Há empresas que gerem aqui centros comerciais, há empresas que produzem aqui produtos alimentares para exportar, há empresas que fazem trabalho de infraestruturas, seja para a educação, seja para os transportes, e há empresas portuguesas tecnológicas presentes em Marrocos», exemplificou.

Paulo Portas destacou que Marrocos é o 12.º cliente de Portugal, o 4.º maior fora da Europa e o 2.º maior em África.

«E toda a gente sabe a nossa proximidade com os mercados africanos. A partir de Marrocos, pode-se disputar muitos mercados regionais neste continente», frisou, lembrando que a previsão de crescimento económico para aquele país ronda os 4% ao ano.

Depois de Casablanca, a comitiva segue ainda hoje para Rabat, incluindo a agenda oficial a assinatura de acordos a nível empresarial e do relacionamento económico e empresarial entre os dois países.

A delegação integra também o secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, Pedro Gonçalves, e o presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), Miguel Frasquilho.