O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, reiterou que «Portugal não é a Grécia», destacando as diferenças entre os dois países e considerando que essa posição não significa que exista «alguma antipatia» perante a Grécia.

Falando numa conferência organizada pela revista britânica «The Economist», que decorre esta terça-feira em Cascais, Paulo Portas elogiou o acordo alcançado na sexta-feira entre o Governo grego e o Eurogrupo e afirmou que Portugal «fez parte» do processo.

«Todos queremos um final feliz [para a Grécia], mas Portugal não é a Grécia. Temos uma situação diferente», sublinhou o vice-primeiro-ministro, destacando as diferenças entre os dois países.

«Isto não significa uma antipatia perante a Grécia, mas uma amizade com Portugal. Eu não sou grego, eu não sou alemão. Sou português e europeu. E tenho de defender o meu país», sublinhou o vice-primeiro-ministro.

Paulo Portas lembrou que Portugal apenas teve um resgate e que a Grécia teve dois, e admitiu que «poderá chegar ao terceiro», que os juros da dívida em Portugal são mais baixos e que «a troika, ou as instituições anteriormente conhecidas como a troika, ainda estão na Grécia», ao contrário do que acontece em Portugal.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, indicou que realizar-se-á «hoje à tarde» uma teleconferência do fórum de ministros das Finanças da zona euro, caso a primeira análise das instituições à lista de reformas apresentada pela Grécia seja positiva.

Hoje de manhã, a Comissão Europeia já apontou, após uma primeira leitura da lista de reformas que o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, submeteu a Bruxelas, que a mesma é «suficientemente completa» com vista ao prolongamento da assistência a Atenas.

O vice-primeiro-ministro também afirmou esta terça-feira que a dívida portuguesa vai iniciar em 2015 «uma trajetória descendente», considerando que o rácio sobre o PIB «cairá vários pontos» este ano.

«Portugal terá em 2015 uma trajetória descendente na dívida pública, que cairá vários pontos», disse Paulo Portas, acrescentando que o rácio da dívida sobre o Produto Interno Bruto (PIB) «caiu com algum significado no último trimestre de 2014», citado pela Lusa.

Na segunda-feira, o Banco de Portugal divulgou que a dívida das administrações públicas na ótica de Maastricht fixou-se em 128,7% do PIB em 2014, acima do verificado em 2013 e da meta fixada pelo Governo para o ano passado.

No entanto, a dívida pública na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, desceu de 131,4% do PIB no terceiro trimestre do ano passado para 128,7% do PIB no último trimestre de 2014.

Apesar da descida entre os dois trimestres, a dívida no conjunto do ano subiu 0,7 pontos percentuais face ao valor global de 2013 (128%) e ficou também acima da meta inscrita pelo Governo no Orçamento do Estado para 2015 (OE2015), que era de 127,2% do PIB.