O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, disse esta quarta-feira que Portugal só terá «um resgate, um calendário e um pacote financeiro» e não outros, afirmando que a troika terminará o seu trabalho em junho e não depois.

«Um resgate, um calendário e um pacote financeiro. Não tenho nenhuma confiança nem desejo quanto a segundos calendários, segundos pacotes ou segundos resgates», disse Paulo Portas em Abu Dhabi, à margem da inauguração do ginásio 100% português Vivafit na capital dos Emirados Árabes Unidos, onde lidera uma missão empresarial que já vem do Qatar e vai para o Dubai.

O vice-primeiro-ministro falava ao ser questionado pelos jornalistas sobre se está otimista com a missão da troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) que hoje regressa a Portugal para a décima avaliação do programa.

Esta será a antepenúltima avaliação deste programa de resgate, que termina em junho do próximo ano, e em causa estará mais um desembolso de 2,7 mil milhões de euros.

O governante sublinhou que «a troika terminará o seu trabalho em junho e não depois», acrescentando que é para isso que Portugal está «a fazer esforços».

«E vamos conseguir como Portugal sempre conseguiu e como estas empresas portuguesas conseguem vencer no exterior», disse, reforçando: «Garanto que vamos conseguir, em termos internacionais Portugal é visto como um país que está a superar a crise, a Irlanda já saiu do programa e Portugal vai sair em junho».

Paulo Portas afirmou que Portugal teve «um problema seríssimo de dívida e de défice».

«Os portugueses foram obrigados a fazer sacrifícios muito dolorosos, demos passos muito importantes para superar este obstáculo», afirmou, explicando que a missão da troika em termos políticos só começa na próxima semana.

Em cima da mesa, o Governo já admitiu que pode vir a estar novamente o emprego, com Maria Luís Albuquerque e Paulo Portas a defenderem publicamente que o setor privado já fez o seu ajustamento salarial.

A troika nos relatórios produzido sobre a oitava e nona avaliações, que decorreram em conjunto na segunda metade de setembro, mostrou insatisfação com o programa de reformas estruturais, afirmando que transmitiram isso mesmo ao Governo, dizendo que este «pode não ser suficiente ambicioso».

A troika continua a defender mais flexibilidade salarial, em especial nos salários mais baixos entre os menos qualificados, como forma de dar um impulso à criação de emprego.

O Governo terá defendido junto da missão que é necessário mais tempo para se verem os resultados das reformas.

O acordo alcançado entre a troika e o Governo foi de fazer novos esforços para identificar distorções causadas por políticas do passado e outras áreas para potenciais reformas prioritárias.

Os parceiros internacionais já marcaram duas das reuniões que terão durante esta revisão: no dia 11 de dezembro reúnem-se com os parceiros sociais e dia 12 com os deputados da comissão parlamentar de acompanhamento das medidas do programa de assistência.