O presidente do CDS/PP e vice-primeiro-ministro disse esta quinta-feira que o Governo esteve «quase» a conseguir um acordo com o PS para a reforma do IRC e que à última hora os socialistas «voltaram atrás».

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Paulo Portas disse aos jornalistas, à entrada para um jantar do CDS/PP na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa, que o Governo tinha acolhido 70% das propostas dos socialistas e defendeu a necessidade de diálogo para conseguir acordos em políticas fundamentais para o país.

O líder do CDS//PP considerou que a reforma do imposto sobre rendimento de pessoas coletivas «é boa sobretudo para as micro e pequenas empresas, mas também para as médias empresas, e não tanto para as grandes», cita a Lusa.

«Na minha leitura, o Governo e o Partido Socialista estiveram perto de um acordo, para isso contribuiu que nós tivéssemos aceite, total ou parcialmente, cerca de 70% das ideias principais do maior partido da oposição», disse.

«Havia ainda alguns pontos de desacordo e, na hora da verdade, o Governo fez um passo em frente, procurando formas de compromisso e o Partido Socialista acabou por dar um passo atrás situando-se na distância», disse Paulo Portas.

O vice-primeiro-ministro defendeu ainda a necessidade de haver em Portugal uma maior cultura de negociação.

«Não é pecado sentar-se à mesa com um adversário político, manter a firmeza na diferença de ideias, que é natural em democracia, mas procurar chegar a acordo, procurar fazer compromisso, estar disponível para fazer cedências em nome de um interesse superior que é o do país e dos cidadãos», sustentou.

Para Paulo Portas, Portugal precisa de um nível de cultura de negociação, de cultura de compromisso e de cultura de aproximação «mais significativo» do que o que tem hoje.

Questionado sobre se ainda é possível chegar a acordo com o PS para a reforma do IRC, Paulo Portas disse que a legislatura vai a meio.

PS nega

O Partido Socialista afirmou que nunca esteve perto de um consenso com o Governo para a reforma do IRC. «Paulo Portas parece ter um problema com a aritmética. Fala da aprovação de 70% das propostas do Partido Socialista em sede de IRC, mas a verdade é que até agora, e tanto quanto sabemos, foram aprovadas duas das 10 propostas do PS», disse à agência Lusa Óscar Gaspar, da Comissão Política socialista.

«Se aprovaram tanta coisa do Partido Socialista, onde é que está a taxa de IRC reduzida para os lucros das Pequenas e Médias Empresas (PME), onde é que está a taxa de IRC agravada para as grandes empresas, onde é que está a taxa de IRC para as empresas do interior do país, onde é que está a proposta do Partido Socialista para que futuras reduções de IRC estejam relacionadas também com reduções de IRS e de IVA?», questionou.

«Nada disso está porque, infelizmente, (...) não foram aprovadas aquelas propostas que Paulo Portas disse que tinham sido aprovadas», acrescentou o elemento da comissão política do PS.

Para Óscar Gaspar, as declarações de Paulo Portas contêm ainda um «problema de ordem política».

«Quando Paulo Portas diz que estivemos próximo de um acordo e depois houve alguém que voltou atrás, tal não corresponde à verdade», referiu.

«A verdade é que quinta-feira o Partido Socialista estava em condições de fazer todas as votações do IRC, foi a pedido do Governo e de partidos que suportam o Governo que a votação foi transferida de ontem para hoje e, inexplicavelmente, aquilo que ontem podia ter sido conseguido em termos de um consenso hoje pelos vistos os partidos da maioria entenderam chumbar as propostas do Partido Socialista», concluiu.