O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD) disse esta quarta-feira no Parlamento que será lançado no final deste mês um programa de rescisões por mútuo acordo para cumprir o plano de redução de dois mil  trabalhadores do banco até 2020.

O primeiro programa de rescisões por mútuo acordo, a disponibilização para os trabalhadores escolherem se querem ou não aderir, será lançado no final deste mês", disse Paulo Macedo, que foi ouvido na Comissão de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República.

Contudo, o responsável sublinhou que o banco mantém a intenção de reduzir o quadro de pessoal sobretudo através de reformas antecipadas, tal como definido no plano inicial acordado entre as autoridades portuguesas e a Comissão Europeia.

No âmbito do plano estratégico negociado com a Comissão Europeia como contrapartida de uma recapitalização do banco público de cerca de cinco mil milhões de euros (2.500 milhões de injeção direta de dinheiro do Estado), a CGD terá de cortar cerca de 2.000 postos de trabalho até 2020, num processo em que prevê gastar 150 milhões de euros.

De acordo com os últimos dados disponíveis, no final de 2016, o banco tinha 8.133 trabalhadores em Portugal, menos 297 do que no final do ano anterior, quando eram 8.410.

A CGD registou em 2016 prejuízos históricos de 1.859 milhões de euros. O ano passado foi mesmo o sexto em que o banco apresentou resultados negativos.

500 a 600 saídas por ano

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos admitiu ainda que, por ano, deverão sair entre 500 e 600 trabalhadores do banco. Já este ano, deverão haver 400 casos de reformas antecipadas e pré-reformas, sendo os restantes situações de rescisões.

Serão cerca de 200 reformas antecipadas e 200 acordos por pré-reforma e o numero adicional de rescisões por mútuo acordo”, disse Paulo Macedo no Parlamento.

O responsável pelo maior banco do país afirmou, ainda, que a redução da estrutura de custos da Caixa Geral de Depósitos (CGD) é importante, uma vez que os clientes do banco não estarão dispostos a pagar por uma estrutura tão pesada como a atual.

Vendas no estrangeiro

Paulo Macedo falou, ainda, de outros pontos acordados com Bruxelas, como a alienação de operações internacionais, nomeadamente com rentabilidades históricas reduzidas. Aí, a prioridade vai para vender o que a CGD tem no Brasil, em Espanha e na África do Sul.

Afirmou ainda que um dos principais objetivos do plano é o de alterar a política de risco, sendo o objetivo passar de "imparidades de 800 ou 900 milhões de euros para 300 milhões de euros" por ano. Estas provisões são feitas para acomodar eventuais perdas, nomeadamente com créditos.

Paulo Macedo disse, também, que a equipa que lidera vai aumentar o crédito que concede, pois só assim poderá ser rentável, e falou nomeadamente em aumentar empréstimos a empresas.