O presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD) afirmou, esta segunda-feira, em Santarém, que a sua equipa vai trabalhar para que o plano de reestruturação do banco seja executado "em termos globais", apesar de inevitáveis desvios.

Paulo Macedo, que encerrou hoje, no Centro Nacional de Exposições, em Santarém, a sessão “Fora da Caixa” dedicada à agricultura e à região, no âmbito das comemorações dos 141 anos da CGD, declarou ter a certeza que o plano, “bastante ambicioso”, vai ser executado, sendo necessário acrescentar ao aumento de capital em curso a geração de lucro para poder pagar a remuneração desses capitais.

Questionado sobre se tem um “plano B” caso haja incumprimento do plano de reestruturação em curso, Paulo Macedo disse que o importante é saber que existe um plano e vontade para o executar.

O que os senhores jornalistas deviam gostar de saber é: há um plano ou não há? Há. Há vontade de o executar ou não? Há. Há uma monitorização ou não? É bom ter que prestar contas trimestralmente. Vai haver desvios ou não? Vai haver de certeza. Vamos conseguir depois em termos globais, ou não, atingir? É para isso que todos temos que trabalhar”, declarou.

Sublinhando que o plano, para cumprir até 2020, visa dar rentabilidade à Caixa, Paulo Macedo declarou que “esta nova solidez” tem que ser completada, pois, “o aumento de capital, por si só muitíssimo importante, dá mais solidez, dá mais confiança, mas não chega”.

A Caixa só conseguirá atingir os seus objetivos se, após esta capitalização - e ainda relembro que em 2018 terá que fazer uma nova emissão de dívida -, conseguir gerar os meios para dar o retorno ao seu acionista, ou seja, aos portugueses que investiram este dinheiro, e também gerar lucros para poder pagar a remuneração desses capitais”, sublinhou.

Instado a comentar a notícia do Jornal de Negócios de hoje, de que a CGD poderá ter de ir mais longe no número de despedimentos e no encerramento de balcões se falhar as metas impostas no plano estratégico acordado com Bruxelas, Macedo afirmou que, como em qualquer outro programa, se não se atingirem os objetivos será necessário proceder a correções.

Paulo Macedo, que na quarta-feira irá ao parlamento, afirmou que os primeiros três meses do ano confirmaram o “padrão de continuidade” do banco, realçando o facto de ter havido uma “melhoria na qualidade do crédito”, havendo “menos crédito vencido, menos provisões e menos imparidades”, o que “altera o resultado”.

Por outro lado, toda a parte do resultado que tem a ver com os custos de estrutura, com menores comissões cobradas que os outros bancos, menor margem financeira que os outros bancos, isso obviamente não se altera de um dia para o outro, mas a evolução é positiva”, declarou.

Sobre o processo de encerramento de balcões, o CEO da CGD remeteu para quarta-feira.

Na sessão realizada em Santarém, dedicada à fileira do regadio em Portugal, Paulo Macedo realçou o crescimento da agricultura na estrutura da carteira de crédito da banca, tendo destacado, das várias intervenções ouvidas durante a tarde, a palavra “competitividade”.

O presidente executivo da Caixa afirmou que o potencial de crescimento do crédito na região – onde existem 17.000 empresas – é “bastante significativo”, afirmando que a CGD tem capacidade para financiar projetos e quer crescer em várias áreas.