A TAP abriu um inquérito ao piloto que chefiou a greve de 10 dias que decorreu em maio. O comandante visado é Paulo Lino Rodrigues, considerado estratega da paralisação.

O inquérito tem como objetivo avaliar a atividade extra-profissional em funções remuneradas daquele piloto, enquanto assessor do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), o sindicato que convocou a greve.

Em pormenor, pretende-se aferir se esses serviços são eticamente aceitáveis ou não e, também, se a prestação de serviços pode ter influenciado negativamente a segurança operacional da TAP nos voos que efectuou. Uma das acusações tem a ver com trabalho para o SPAC em tempo de descanso obrigatório.

O objetivo final é determinar se existe fundamento para o despedimento por justa causa de Paulo Lino Rodrigues.

O SPAC sai em defesa do piloto e "repudia veementemente, porque falsas, as acusações imputadas pela TAP ao Comandante Paulo Lino Rodrigues".


Em comunicado, o Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil diz que "é falso que o Comandante Paulo Lino Rodrigues tenha sido o estratega da greve dos Pilotos". O SPAC defende que a greve foi decidida e votada pelos seus associados em assembleia de empresa e assume a responsabilidade exclusiva da declaração e manutenção da paralisação. Em defesa de Paulo Lino Rodrigues, o Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil garante que  ser "falso que a atividade de assessoria desenvolvida junto da Direcção do SPAC tenha colocado em causa, em algum momento, a segurança de voo". O Sindicato alega ainda que a colaboração "da empresa do Comandante Paulo Lino Rodrigues no SPAC incidiu apenas sobre questões financeiras no âmbito das negociações levadas a cabo pela Direcção do SPAC sobre a interpretação do Acordo de Empresa e a sobrevigência do mesmo". 

A greve resultou num prejuízo de 35 milhões de euros, segundo o Governo. 

No meio deste processo e de muita polémica, a privatização da transportadora aérea avançou e foi ganha por David Neelman, que fica com 61% da empresa. O negócio pode chegar aos 488 milhões de euros, dependendo da performance da companhia aérea durante este ano.

O líder do principal partido da oposição, António Costa, considera "escandaloso" que TAP seja vendida por valor inferior às contratações de futebol.