O grupo Sonae quer reforçar a aposta no Brasil, apesar da crise económica no país.

“Passámos esses últimos anos a ganhar solidez e a tratar do nosso balanço. E hoje temos força para voltar a ser uma empresa de investimento [no estrangeiro]”, disse em entrevista ao O Globo, Paulo Azevedo, presidente do grupo. Mas o empresário não esconde as dificuldades.

“Temos a certeza que vai ser difícil desenvolver novos centros comerciais [no Brasil] nos próximos tempos. E esse era um objetivo grande nosso. Queríamos crescer no Brasil. Temos uma empresa com dimensão. E agora precisava de ser maior. E, com a queda no consumo e a falta de capacidade de investimento dos lojistas, vamos passar por um período de pausa no crescimento”, referiu.

Mesmo assim, o filho do fundador de um dos maiores grupos portugueses assegurou que vão investir em centros comerciais no Rio de Janeiro e em São Paulo.

“Temos centros comerciais muito interessantes no Brasil, mas não temos grandes centros nem na cidade do Rio de Janeiro nem em São Paulo. E achamos importante ter centros nessas cidades. Portanto, gostaríamos de ter mais”, acrescentou.

Atualmente, a Sonae conta com dez centros comerciais no Brasil, entre o interior de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Amazonas.

A crise como oportunidade?

À pergunta sobre se os investimentos só vão acontecer quando o país recuperar, o responsável respondeu que este “pode não ser o pior momento para encontrar novos projetos. Estamos cautelosos, mas atentos”.

Nomeadamente, pode haver oportunidades na área da tecnologia, um sector que ganha importância crescente tanto no retalho como nas telecomunicações - dois sectores core do grupo. De resto, empresas que surgiram no seio da Sonae, como a Wedo, Saphety e Atlantic já conhecem o mercado brasileiro.

“Na área de tecnologia, temos nove empresas com operações no Brasil (…). Estamos à procura de investimentos em tecnologias inovadoras que tragam benefícios para esses negócios. E temos investido em geolocalização, para perceber os tráfegos e os fluxos de nossos clientes no retalho. Também estamos a investir em cibersegurança. A WeDo é cada vez mais uma empresa de análise de big data”, concluiu, recordando que o grupo tem feito três aquisições por ano. “Agora vamos duplicar (…) (empresa tem um orçamento de  40 milhões de euros para fazer aquisições este ano)".

“Os mercados de tecnologias são muito globais. Procuramos empresas no mundo inteiro. Se for no Brasil, ótimo. A WeDo já fez compras no Brasil. Temos ainda a Atlantic e a Saphety”, acrescenta o presidente executivo do grupo.