O economista e vencedor do prémio Nobel, Paul Krugman, defendeu esta quarta-feira que Bruxelas deve aliviar as regras orçamentais e dar mais flexibilidade aos pequenos países.

"A Comissão Europeia devia ser mais tranquila. A rigidez das regras [orçamentais] não é adequada à natureza dos problemas, já que os países não estão a ser indisciplinados do ponto de vista orçamental. O problema foi provocado por um ajustamento muito difícil e pela debilidade da economia europeia", disse o economista norte-americano à margem do VI Congresso da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED).

Paul Krugman considerou que esta flexibilidade "não significa uma licença para um gasto descontrolado", e lembrou que quando os grandes países violam as regras orçamentais, isso é perdoado de uma forma ou outra.

"Devia haver também esse perdão para os países mais pequenos", sublinhou, acrescentando que "uma economia europeia eternamente deprimida não interessa a ninguém".

Só o Banco Central Europeu colheu elogios. Krugman considerou que "é o exemplo de uma instituição europeia que está a tentar fazer o sistema funcionar" e que "Draghi e companhia estão a fazer tudo o que podem", em termos de política monetária, apesar de "os deuses da economia" não estarem ao seu lado.

Krugman afirmou que há espaço para aliviar um pouco a austeridade e mostrou-se novamente favorável às políticas expansionistas.

"Os mercados financeiros não vão entrar em pânico. Um ponto no PIB não vai fazer diferença, mas pode tornar os custos mais toleráveis para as pessoas", destacou.

O economista admitiu, no entanto, que a margem de manobra do Governo português é limitada face às imposições europeias.

"O Governo português não tem grande margem de manobra para alterar o cenário macroeconómico, mas pode minimizar o impacto sobre as pessoas, aliviando a política orçamental", sugeriu.

Na segunda-feira, já em Portugal, Krugman escreveu um artigo de aopinião onde dizia que as coisas em Portugal estavam "terríveis".

Quanto aos riscos sobre a sustentabilidade da dívida serão mais fracos, quanto mais forte for a economia europeia, embora a situação grega mereça algumas preocupações.

"Se a economia europeia, como um todo, tropeçar, se a inflação continuar baixa para sempre e não houver um crescimento forte, não só Portugal, mas todos os países do sul da Europa vão ter uma situação de dívida insustentável, mas acredito que isso não vai acontecer", declarou, de forma otimista.