Os parceiros sociais consideram que há uma maior aproximação e uma «maior coesão» entre as suas posições, embora reconheçam a existência de «algumas nuances» entre as preocupações dos patrões e as dos sindicatos.

Os dirigentes das centrais sindicais e das associações empresariais reuniram-se hoje com os elementos da troika (Fundo Monetário Internacional [FMI], Banco Central Europeu [BCE] e Comissão Europeia), em sede de Concertação Social, para debaterem aspetos relacionados com as oitava e nona revisões ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), que estão a decorrer em simultâneo.

Apesar de dar conta de «uma desresponsabilização» por parte dos elementos da troika, que «não disseram nada de novo», o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, disse aos jornalistas, após o encontro, que há «um mérito» a reconhecer: é que «há uma posição mais unânime entre os parceiros sociais em alguns aspetos», afirmou.

No mesmo sentido, João Vieira Lopes, da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), disse que há «uma maior coesão» entre os parceiros sociais, em matérias como a dinamização do mercado interno e a redução da carga fiscal.

«Há um conjunto de pontos de interesse, embora com algumas nuances, mas que são bastante consensuais entre os parceiros sociais», disse.

Também Lucinda Dâmaso, presidente da União Geral de Trabalhadores (UGT), adiantou que os parceiros sociais estão «todos numa linha de que é preciso mudar o rumo das políticas para que a economia seja dinâmica».

A dirigente sindical disse que a UGT não vai aceitar que os trabalhadores percam direitos laborais e proteção social e considerou que «a reforma [da Administração Pública] é desejável, mas o que está a acontecer não é uma reforma».

«Não estamos disponíveis para assistir a esta farsa», reiterou.

Este é o segundo dia da oitava e nona visita da troika a Portugal, que é o primeiro exame regular ao PAEF liderada pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, do lado de Portugal.

Do lado da troika, também há uma dança de cadeiras, mantendo-se apenas Rasmus Ruffer (do BCE): pela Comissão Europeia, estreia-se Sean Berrigan e, pelo FMI, entra Subir Lall.

Na semana passada, Paulo Portas disse no parlamento que, durante a sétima avaliação, troika e executivo tiveram divergências e que o objetivo do défice era um dos temas em que defendiam posições diferentes, tendo acabado por prevalecer a opção da troika.

«O Governo continua a pensar que a meta de 4,5% [para o défice de 2014] é a mais adequada», defendeu por fim Paulo Portas.

Sobre esta matéria, os parceiros sociais disseram não ter tido qualquer resposta por parte dos representantes da troika, que não prestaram declarações aos jornalistas, como tem sido habitual.