
O primeiro-ministro reiterou esta quarta-feira que Portugal vai cumprir «fielmente» as metas acordadas com a troika, até porque «não tem margem» para se desviar. Se o fizer, explicou, será necessário um segundo resgate. E uma nova ajuda «sairá mais cara, será mais prolongada e terá mais custos económicos e sociais para toda a gente».
Pedro Passos Coelho falava na conferência de imprensa conjunta com o homólogo espanhol, Mariano Rajoy, no final da XXV cimeira luso-espanhola que decorre no Porto. E aproveitou para responder aos que acusam o executivo de fazer tudo o que a troika quer.
As medidas são tomadas não «para agradar à troika», mas sim porque «coincidem com o interesse de Portugal de sair o mais depressa possível da crise e retornar aos mercados nas condições mais favoráveis possíveis».
O chefe do Governo português comentou ainda os recentes apelos europeus a uma política de crescimento, que se intensificaram depois de os eleitores frances e gregos terem castigado nas urns, no passado domingo, os partidos que defendiam o alinhamento com a austeridade advogada pela Alemanha.
«Não se está a atravessar uma nova fase da discussão europeia», ainda que haja agora uma «agenda mais ambiciosa para o crescimento».
«Não é possível crescer com dívida insustentável», lembrou. Por isso, «os países que acumularam dívidas e défices excessivos têm que os corrigir».
Passos Coelho a sublinhar a importância do crescimento económico, um tema que ganhou uma nova dimensão depois da eleição de François Hollande nas presidenciais francesas.
Portugal e Espanha sairão mais fortes da crise
Passos aproveitou a cimeira ibérica para dizer que Portugal e Espanha vão sair mais fortes desta crise, com uma economia «mais pujante, mais democrática e mais justa».
«Precisamos de gastar melhor e de forma mais eficiente os fundos europeus», sublinhou Passos Coelho, acrescentando que «não há coesão e solidariedade sem responsabilidade. Assim como não há crescimento sem consolidação orçamental».
«Vamos ser claros, Portugal e Espanha estão empenhados na correcção dos desequilíbrios macroeconómicos. É do interesse de ambos eliminar todas as distorções que impeçam o crescimento económico. Precisamos de mais Europa e a Europa precisa de mais Portugal e Espanha», concluiu.
Espanha apoia esforço nacional, mas pede aposta no crescimento
Já o presidente do Governo espanhol expressou apoio e solidariedade às medidas de austeridade que o Governo português está a implementar, mas defendeu também que a Península Ibérica, tal como o resto da Europa, deve avançar com políticas de crescimento.
«Quero expressar o meu mais firme e solidário apoio às medidas e reformas que o Governo português está a adotar para sanear as contas públicas e criar condições que permitam quanto antes o crescimento sustentável gerador de emprego e bem-estar. São reformas imprescindíveis para assegurar um futuro próspero para os nossos cidadãos e para a UE. E temos que cumprir os compromissos assumidos no seio da UE».
Mas «a principal responsabilidade dos dois Governos é a luta para sair de uma crise económica especialmente dura. E por isso hoje reiteramos a nossa vontade firme de levar a cabo as reformas necessárias».
«Estamos a fazer, como Portugal, reformas estruturais, que não produzem efeitos a curto prazo mas sim no futuro e na Europa deve continuar a avançar-se nesta matéria», disse.
Entre as decisões tomadas na cimeira, destaca-se o final da dupla tributação no transporte de gás natural já em 2013 e o facto de se reiterar o avanço da ligação ferroviária à Europa em bitola europeia, mas sem data de conclusão.
Há três anos que não se realizava uma cimeira deste género. Agora os dois líderes reúnem-se, no momento, em que partilham a mesma crise.