logotipo tvi24

Passos fiel às metas: 2º resgate seria mais caro e longo

Austeridade não é só para agradar à troika, também é do interesse de Portugal

Por:
   |   2012-05-09 15:55

O primeiro-ministro reiterou esta quarta-feira que Portugal vai cumprir «fielmente» as metas acordadas com a troika, até porque «não tem margem» para se desviar. Se o fizer, explicou, será necessário um segundo resgate. E uma nova ajuda «sairá mais cara, será mais prolongada e terá mais custos económicos e sociais para toda a gente».

Pedro Passos Coelho falava na conferência de imprensa conjunta com o homólogo espanhol, Mariano Rajoy, no final da XXV cimeira luso-espanhola que decorre no Porto. E aproveitou para responder aos que acusam o executivo de fazer tudo o que a troika quer.

As medidas são tomadas não «para agradar à troika», mas sim porque «coincidem com o interesse de Portugal de sair o mais depressa possível da crise e retornar aos mercados nas condições mais favoráveis possíveis».

O chefe do Governo português comentou ainda os recentes apelos europeus a uma política de crescimento, que se intensificaram depois de os eleitores frances e gregos terem castigado nas urns, no passado domingo, os partidos que defendiam o alinhamento com a austeridade advogada pela Alemanha.

«Não se está a atravessar uma nova fase da discussão europeia», ainda que haja agora uma «agenda mais ambiciosa para o crescimento».

«Não é possível crescer com dívida insustentável», lembrou. Por isso, «os países que acumularam dívidas e défices excessivos têm que os corrigir».

Passos Coelho a sublinhar a importância do crescimento económico, um tema que ganhou uma nova dimensão depois da eleição de François Hollande nas presidenciais francesas.

Portugal e Espanha sairão mais fortes da crise

Passos aproveitou a cimeira ibérica para dizer que Portugal e Espanha vão sair mais fortes desta crise, com uma economia «mais pujante, mais democrática e mais justa».

«Precisamos de gastar melhor e de forma mais eficiente os fundos europeus», sublinhou Passos Coelho, acrescentando que «não há coesão e solidariedade sem responsabilidade. Assim como não há crescimento sem consolidação orçamental».

«Vamos ser claros, Portugal e Espanha estão empenhados na correcção dos desequilíbrios macroeconómicos. É do interesse de ambos eliminar todas as distorções que impeçam o crescimento económico. Precisamos de mais Europa e a Europa precisa de mais Portugal e Espanha», concluiu.

Espanha apoia esforço nacional, mas pede aposta no crescimento

Já o presidente do Governo espanhol expressou apoio e solidariedade às medidas de austeridade que o Governo português está a implementar, mas defendeu também que a Península Ibérica, tal como o resto da Europa, deve avançar com políticas de crescimento.

«Quero expressar o meu mais firme e solidário apoio às medidas e reformas que o Governo português está a adotar para sanear as contas públicas e criar condições que permitam quanto antes o crescimento sustentável gerador de emprego e bem-estar. São reformas imprescindíveis para assegurar um futuro próspero para os nossos cidadãos e para a UE. E temos que cumprir os compromissos assumidos no seio da UE».

Mas «a principal responsabilidade dos dois Governos é a luta para sair de uma crise económica especialmente dura. E por isso hoje reiteramos a nossa vontade firme de levar a cabo as reformas necessárias».

«Estamos a fazer, como Portugal, reformas estruturais, que não produzem efeitos a curto prazo mas sim no futuro e na Europa deve continuar a avançar-se nesta matéria», disse.

Entre as decisões tomadas na cimeira, destaca-se o final da dupla tributação no transporte de gás natural já em 2013 e o facto de se reiterar o avanço da ligação ferroviária à Europa em bitola europeia, mas sem data de conclusão.

Há três anos que não se realizava uma cimeira deste género. Agora os dois líderes reúnem-se, no momento, em que partilham a mesma crise.

Partilhar
EM BAIXO: Passos Coelho e Mariano Rajoy (LUSA)
Passos Coelho e Mariano Rajoy (LUSA)

Governo: áreas-chave que vão criar emprego em 2013
Ministério da Economia aponta 14 setores que estarão em destaque durante este ano «particularmente difícil»
Os setores que vão criar emprego em 2013
Há que apontar baterias para os alvos certos na procura de trabalho. Entre no ano com o pé direito
Já estamos em 2013, pode riscar 4 feriados do calendário
Durante cinco anos (ou será mais?), esses dias serão jornadas de trabalho como quaisquer outras
PUB