Se os portugueses bem se lembram, o Governo deixou em aberto, para o próximo Orçamento do Estado, uma poupança de 600 milhões através de uma reforma no sistema de pensões que pretende concretizar. O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho admitiu esta sexta-feira que o impacto pode ser, afinal, ainda maior do que esse. 

"Nós apontámos um valor de 600 milhões, que foi o que tínhamos referenciado quando em 2012 e 2013 procurámos resolver o problema das pensões públicas – porque é um valor muito próximo do da divergência entre o que representa o valor das pensões do setor público com o setor privado. O que não quer dizer que não venha a ser necessária uma reforma de envergadura maior, e até que ela possa precisar de mais tempo para ser encontrada junto com o PS"


Em entrevista ao Observador, Passos Coelho disse, ainda, que uma coisa é certa: "Teremos de resolver esse problema". Não levantou o véu a medidas concretas, se vier a ser reeleito chefe de Governo, mas garantiu que "teremos um resultado que se aproximará desse efeito orçamental".

Há dois dias, a ministra das Finanças disse que o "desenho" dessa reforma será feito só depois das eleições, sem se referir a valores.  

As pensões "continuarão congeladas durante quatro anos". Passos Coelho justificou que, "se isso não acontecer teremos um problema muito sério de sustentabilidade ainda mais rapidamente".

A prioridade será repor os salários na função pública. Permitir, de novo, as progressões na carreira é que será mais difícil, reconheceu. "É um dos problemas mais delicados", por causa do custo que isso representaria para os cofres do Estado. 
 

TSU e PS: a discórdia


Admitindo, também, que o custo do trabalho para as empresas "é ainda muito elevado" e que é preciso fazer uma reforma, descartou, porém, a ideia do PS de reduzir a TSU para trabalhadores e empresas. "Qualquer delas é incomportável", em termos orçamentais e para irem de encontro às regras europeias, assinalou. 

"Teremos de o fazer de uma forma seletiva. Orientando o a diminuição do custo do trabalho para as empresas para algumas áreas ou para novos investimentos que tenham em conta desempregados de longa duração, eventualmente doutorados e outros trabalhadores muito qualificados, por aí fora", acrescentou. 

O chefe de Governo considerou que as alterações propostas pelo PS para a TSU, bem como o contrato único de trabalho, são tão "liberais" que nem ele próprio as subscreve.

Recusando ser arrogante, mas sim "determinado", Passos Coelho prometeu não fazer uma campanha "nem do medo, nem da gratidão". Mas quis deixar um alerta aos portugueses, recorrendo a um dito popular: "Se ninguém tiver maioria, como se costuma dizer, ‘vai ser o diabo’".