O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu hoje, num encontro com o Partido Popular Europeu (PPE) em Albufeira, que a Europa tem de repensar a sua estratégia energética, pedindo novos fornecedores e mais investimento dentro das fronteiras europeias.

«Temos de repensar a nossa estratégia de segurança energética. Isso significa uma diversificação dos nossos fornecedores exteriores e uma abertura ao oceano Atlântico, como um caminho privilegiado para as nossas importações de energia», afirmou o primeiro-ministro, num discurso no final dos trabalhos do segundo dia do encontro do PPE, que termina na quarta-feira.

Pedro Passos Coelho admitiu que esta nova visão também tem «consequências internas», apelando a «mais investimento em infraestruturas entre as fronteiras europeias».

«Precisamos não só de um verdadeiro mercado energético, mas também de infraestruturas energéticas mais ajustadas às nossas necessidades coletivas no século XXI», defendeu.

O primeiro-ministro alertou ainda para «os perigos» de a União se manter isolada: «A realidade está a avisar-nos de que não nos podemos manter isolados uns dos outros no setor energético».

O comissário europeu da Energia, Guenther Oettinger, alertou na segunda-feira para a possibilidade de a Europa poder ter falta de gás no próximo inverno na sequência do anúncio da Rússia de que vai cessar o fornecimento à Ucrânia.

O consórcio russo Gazprom anunciou a passagem para um sistema de pré-pagamento no fornecimento de gás à Ucrânia o que supõe o corte imediato do fornecimento do combustível ao país vizinho.

A decisão foi anunciada depois de às 10:00 em Moscovo (07:00 em Lisboa) ter vencido o prazo que a Rússia tinha dado à Ucrânia para pagar 1,95 mil milhões de dólares (1,45 mil milhões de euros), por dívidas anteriores de fornecimento.

Pedro Passos Coelho considerou ainda que a situação no leste europeu «representa um desafio muito sério à União Europeia como um todo».

«Mas esta situação não nos pode fazer esquecer que os desafios sociais e políticos a sul do Mediterrâneo também são de igual preocupação», disse, considerando que a «fragilidade da situação com as fronteiras a sul» da União Europeia «representa um risco».

«Neste sentido, vamos encontrar grandes dificuldades em regular e a descomprimir cenários extremos na região. Temos de enfrentar esta questão agora», afirmou o primeiro-ministro.