O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho deu esta quinta-feira a situação da Grécia como exemplo do que poderia ter acontecido se Portugal não tivesse concluído o programa de resgate.

“Fizemos aquilo que parecia impossível. Com uma dor que não era objetivamente parte de qualquer outro programa que tivéssemos executado. O custo alternativo de falhar era demasiado elevado”


Sem querer referir-se diretamente a Atenas, o chefe de Governo sublinhou:

As alternativas àquele que foi o nosso caminho estão hoje à vista de todos, bem esclarecidas. E julgo que nos reconforta saber que não foi por acaso que conseguimos concluir o programa”


"Senti-me próximo do abismo"


                                    Passos Coelho [Lusa]
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O primeiro-ministro se sentiu-se várias vezes, confessou, "muito próximo do abismo", isto é, "de não conseguir alcançar os resultados que eram indispensáveis a Portugal".

Para o Governo, tornou-se "muito claro no verão de 2011" que se aproximava "uma insuficiência de crédito que motivaria uma recessão muito maior do que aquela que poderia estar prevista no memorando".

"Em parte isso aconteceu, em parte isso foi amortecido por nós termos conseguido duas metas que não estavam inicialmente fixadas: conseguir regressar a financiamento de mercado mais cedo, beneficiando de condições de financiamento mais favoráveis para o conjunto da economia, e pelo programa de privatizações muito bem-sucedidas que permitiram um encaixe financeiro significativo", prosseguiu.

De acordo com Passos Coelho, "só pela conjugação destas duas razões foi possível impedir uma falência de crédito na economia portuguesa nestes anos".

Numa intervenção no encerramento do 6.º Congresso dos Economistas, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, o chefe do executivo PSD/CDS-PP apontou, em particular, as metas fixadas para a redução do défice: "Na verdade, estes objetivos eram incumpríveis. Nenhum destes objetivos era alcançável pelos meios naturais que estavam previstos no programa de ajustamento".

Segundo o primeiro-ministro, o programa de resgate "foi sendo flexibilizado nas suas metas, à medida que o país foi mostrando capacidade para cumprir a suas responsabilidades e os seus compromissos".

Se hoje não quis tocar diretamente no assunto, embora se tenha referido à crise naquele país. Ontem, interpelado pelo PS no debate do Estado da Nação, Passos Coelho foi direto nas respostas, recusando que esteja a ser feita "chantagem" com a Grécia.

"As insistências desesperadas [por parte do PS] em querer levar PSD e CDS-PP e o próprio governo a impedirem um acordo entre as instituições e a Grécia é simplesmente risível, risível senhor deputado"


Atenas tem de entregar propostas de reformas esta quinta-feira.  O plano que deverá apresentar às instituições europeias propõe 12 mil milhões em cortes e subida de impostos.