O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou esta quarta-feira no debate sobre o estado da Nação que quer construir em Portugal uma sociedade de pleno emprego e propôs que este objetivo seja assumido como um compromisso nacional.

«A luta contra o desemprego ocupa a prioridade da nossa agenda. A sociedade que queremos construir em Portugal é uma sociedade de pleno emprego, de participação económica e cívica, e de multiplicação de oportunidades para todos», declarou o chefe do executivo PSD/CDS-PP, na Assembleia da República.

«Precisamos de fazer deste objetivo para os próximos anos um verdadeiro compromisso nacional - um projeto de concertação nacional, que envolva os parceiros sociais, a sociedade civil e os agentes privados. À cabeça desse objetivo está a preocupação com o desemprego jovem», acrescentou.

No início do seu discurso, o primeiro-ministro sustentou que nos últimos três anos Portugal resolveu «os problemas causados pela política da irresponsabilidade», assinalando a conclusão do resgate pedido em 2011.

Passos Coelho lamentou não ter podido «contar com o apoio responsável da oposição» neste período e considerou que «agora é também o momento de todos se comprometerem perante os portugueses a nunca mais se forçar o país a passar por uma situação de pré-bancarrota e pelas respetivas consequências».

Segundo o primeiro-ministro, concluído o Programa de Assistência Económica e Financeira assinado com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), inicia-se «uma nova fase» caracterizada por «desenvolvimento sustentável», por «maior justiça social» e pelo «aprofundamento da democracia».

No que respeita ao desemprego, declarou que é preciso ir «muito além» da descida registada nos últimos meses, combatendo «o desemprego conjuntural que a queda da economia produziu» e também «o desemprego estrutural» causado por «um modelo económico anacrónico».

Passos Coelho defendeu a atuação do Governo no combate ao desemprego dos jovens, dando destaque à aposta no ensino dual e no ensino técnico.

«Um dos pilares desta sociedade de pleno emprego que queremos construir reside nas qualificações dos portugueses», disse, acrescentando: «Foi por isso que apostámos no ensino técnico e profissionalizante. Foi por isso que reforçámos o ensino dual e investimos no ensino vocacional».

O primeiro-ministro recusou que «este tipo de ensino» seja visto como um «parente pobre do ensino regular», contrapondo que o executivo PSD/CDS-PP o encara como «um novo foco de excelência na preparação dos alunos portugueses» que dará «um novo impulso à empregabilidade» dos jovens a prazo.

No final da sua intervenção, Passos Coelho falou da necessidade de «um Estado mais ágil e mais forte» e de «um Estado imparcial, acima dos interesses setoriais e corporativos, e que represente o país no seu todo», insistindo nesta última ideia: «O Estado imparcial, que não se sujeite a ser resgatado por este grupo ou aquele interesse, é o que melhor serve uma economia vibrante, dinâmica e concorrencial; é o que se ajusta melhor às aspirações democráticas; e é o que mais eficazmente exerce as suas próprias funções».

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