A deputada do Partido Ecologista Os Verdes, Heloísa Apolónia, exigiu esta sexta-feira a Passos Coelho a reposição dos «salários cortados» e a diminuição de impostos, considerando os «sinais positivos de que o Governo fala».

«Os ricos em Portugal pagam proporcionalmente muito mais do que todos os outros. Os impostos são progressivos e mais pesados sobre estes. Não posso é fazer confisco, ir àquelas pessoas e tirar-lhes recursos. O que sugere é uma carga superior a 50 por cento?», questionou o líder do executivo, após ser confrontado com o empobrecimento crescente dos portugueses.

Heloísa Apolónia chamou a atenção para o facto de milhares de portugueses que trabalham estarem a empobrecer, «a perder-se na sua vida, à conta de muitas políticas colaterais que o Governo vai promovendo».

«É uma bola de neve que continua a crescer e o primeiro-ministro continua a falar dos mercados e por aí fora. O fosso entre os ricos e os pobres está a aumentar. Quem está a pagar a crise são aqueles que menos hipóteses têm para o fazer», disse.

Passos Coelho reconheceu «o empobrecimento do país», que «está espelhado na contração do PIB e na recessão», mas rejeitou outra imagem atribuída pela deputada de Os Verdes.

«O primeiro-ministro não pode estar consciente de outra coisa. Estamos a viver uma recessão e uma crise económica. A imagem da bola de neve é que não é verdadeira. A nossa economia está a recuperar desde o segundo trimestre deste ano. O desemprego tem vindo a baixar desde março, pouco, mas baixa. Em cadeia, o emprego cresceu em Portugal. A verdade é que cresceu», afirmou o líder do executivo.

A parlamentar do PEV contrariou então que, tomando a economia portuguesa por uma «bonita planta de interior», a mesma não pode depender unicamente e exclusivamente do fator externo.

«O Governo só presta atenção à luz (fator externo) e não está a dar água. Assim, a planta definha. Temos de criar condições para uma economia sustentável. Se não, andamos ao sabor dos mercados e das economias externas. É de pobreza que lhe estou a falar, acorde de uma vez por todas!», concluiu.