O primeiro-ministro desafiou esta quarta-feira os «agentes políticos e sociais» a debater «com exigência de clareza» as diferentes propostas para o futuro do país, e condenou o «debate infantil» sobre «crescimento e austeridade».

 

 

«Temos de pôs as nossas diferentes estratégias em cima da mesa, os nossos diferentes diagnósticos e os nossos diferentes caminhos para o futuro. Com clareza e afirmação de escolhas. Debate não é a crítica pela crítica», afirmou, citado pela Lusa, acrescentando que esse «é um dever de todos os agentes políticos e sociais».

 

 

O primeiro-ministro intervinha na sessão de encerramento do seminário «Diálogo Social pela Educação e Formação - estratégias de intervenção e concertação para o desenvolvimento e o emprego», por ocasião do 36.º aniversário da UGT, em Lisboa.

 

 

«A resolução eficaz e credível dos nossos problemas estruturais não é compatível com uma fuga permanente às questões difíceis», considerou o primeiro-ministro, que atribuiu o «colapso que o país sofreu em 2011» à «estagnação económica», ao «fechamento ao mundo e ao imobilismo político».

 

 

Na parte final do seu discurso, Passos Coelho criticou o que classificou como «discurso infantil» sobre «crescimento e austeridade», sublinhando que «não foi por falta de financiamento que Portugal não cresceu» na década anterior.

 

 

«O debate mais infantil a que tenho assistido desde a chamada crise da dívida soberana é o debate sobre o crescimento e a austeridade porque resolve apresentar um desejo positivo sobre as coisas sem atender à realidade», disse.

 

 

Passos Coelho frisou que «não basta proclamar o desejo de crescer para resolver os problemas da estagnação económica», acrescentando que ao contrário de outros países que conseguiram crescer, Portugal «ficou para trás» numa altura em que teve meios de financiamento e chegou à estagnação «no final dos anos 90».

 

 

Passos Coelho reiterou as previsões do Governo para o crescimento da economia em 2015, considerando que «é uma meta realista» estimar um crescimento de 1,5 por cento, admitindo que «as observações empíricas» afirmam que o país precisa de crescer pelo menos 2 por cento ao ano.

 

 

No seu discurso, Passos Coelho reiterou ainda como prioridade do Governo a criação de condições para aumentar a natalidade, através da «conciliação entre a vida profissional e laboral e os deveres de maternidade e paternidade».

 

 

Para o primeiro-ministro, «é um equívoco supor que a política para uma sociedade mais amiga das famílias se resume aos incentivos fiscais», que devem ser entendidos como «medidas de justiça e não tanto de incentivos».

 

 

«A proposta é a de remover obstáculos que retiram espaço de escolha e liberdade para as opções que os trabalhadores e as suas famílias pretendam fazer», disse.