O primeiro-ministro considerou esta terça-feira natural que quer o Presidente da República quer Governo «não constituam um óbice» ao apuramento de responsabilidades que possa ocorrer em relação à PT, afirmando que o que aconteceu «não é obra do acaso».

No Porto, no final da inauguração do Complexo Social do Centro Social de S. Martinho de Aldoar, Passos Coelho foi interrogado sobre as declarações de segunda-feira do Presidente da República, Cavaco Silva, que considerou ser «legítimo» os portugueses questionarem os acionistas e gestores da PT sobre o trabalho desenvolvido ao longo dos tempos.

«O que aconteceu na Portugal Telecom não é obra do acaso com certeza. Espero que também não seja obra do Governo porque se trata de uma empresa privada. É natural que os seus acionistas possam querer pedir responsabilidades aos administradores, à gestão da empresa e isso compete aos tribunais poder aferir - quando existem ações - ou então às próprias assembleias-gerais das empresas», afirmou, citado pela Lusa.

Para o primeiro-ministro é «muito saudável» que «exista uma necessidade de esclarecer o que se passou», considerando que «é muito natural que quer o senhor Presidente da República quer Governo não constituam um óbice a que esse apuramento de responsabilidades possa ocorrer».

«E quando digo que não constituam um óbice é no sentido em que possam, por via do debate político, figurarem como autores ou executores de alguma estratégia que tenha relação com essa empresa porque não é isso que está a acontecer», justificou.

Passos Coelho enfatizou ainda que «o Governo não teve nenhuma intervenção no caso da PT e o senhor Presidente da República também não», sendo por isso «natural» que funcionem «de um ponto de vista cívico como um elemento que possa ajudar ao esclarecimento dessas situações».

Questionado sobre os resultados da auditoria forense ao BES que foram divulgados por alguns órgãos de comunicação social, o primeiro-ministro disse apenas não poder estar a pronunciar-se sobre auditorias forenses que não conhece.