[Atualizada às 11:53]

Pedro Passos Coelho reagiu, no debate quinzenal que decorre esta sexta-feira, aos números avançados pelo Eurostat, que dão conta de uma descida de 2,4% no emprego no terceiro trimestre, embora o país tenha registado o maior crescimento em cadeia (face ao trimestre anterior) na taxa de emprego na Europa entre Julho e Setembro deste ano, período durante o qual cresceu 1,2%.

Em resposta à deputada do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, o governante sublinhou que os números do Eurostat têm estado a diminuir. «Não é por dizer muitas vezes que o desemprego está a crescer que isso se vai tornar realidade. Não insista», disse Passos Coelho.

Relativamente à operação de troca de dívida pública, que conseguiu adiar maturidades para 2017 e 2018, e à pergunta do BE de como vai Portugal pagar a dívida, Passos Coelho respondeu que a estratégia é por demais conhecida, e que Portugal vai honrar os compromissos: «Devemos encaminhar o país para ter excedentes primários e depois excedentes orçamentais. É nessa medida que conseguiremos dar um contributo para a recuperação económica do país», rematou.

Já antes, a coordenadora do BE Catarina Martins tinha questionado o primeiro-ministro sobre se o Governo irá «continuar a negociar com a troika como se nada fosse» depois de a diretora-geral do FMI, Cristine Lagarde, ter admitido que Portugal deveria ter tido mais tempo para fazer a consolidação orçamental.

Reiterando «estranheza» pelas declarações, Passos Coelho disse que defendia «que o processo de ajustamento pudesse ter tido lugar em quatro anos».

«Parece que o anterior governo nem suscitou a questão. Ficou resolvido que tinha três anos e se tivesse mais de três anos teria que ser um segundo programa que é coisa que eu não quero em Portugal», disse.

E acrescentou: «O senhor ex-ministro Vítor Gaspar disse um dia a propósito de declarações idênticas da senhora Lagarde que havia alguma hipocrisia institucional nestas instituições e não posso deixar de dizer o sr. professor Vítor Gaspar estava cheio de razão», afirmou Passos Coelho.