O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e o seu homólogo luxemburguês, Xavier Bettel, indicaram que a crise do Grupo Espírito Santo não foi assunto abordado na reunião realizada esta quarta-feira no Luxemburgo, destacando ambos o papel das autoridades nacionais de supervisão.

O PM luxemburguês sublinhou também a questão da separação de poderes para se distanciar da matéria, afirmando que as autoridades de supervisão fizeram o seu trabalho, e agora cabe aos tribunais darem seguimento às denúncias reportadas, não sendo papel do chefe de Governo intervir no assunto.

«Cabe agora à justiça fazer o seu trabalho. Mas vemos que quando há erros e factos penais, as instâncias que estão lá para supervisionar os denunciam à Justiça, e isso mostra que o sistema funciona», disse, insistindo que esta é uma matéria «jurídica», que não cabe a si «nem decidir nem documentar».

Recorde-se que o Tribunal do Luxemburgo já rejeitou este mês os quatro pedidos de gestão controlada apresentados por empresas do Gerupo Espírito Santo em julho, designadamente pela Espírito Santo International, pela RioForte, pela Espírito Santo Financial Group, e pela Espírito Santo Financière.

«Sabemos que existiam várias sociedades ligadas ao GES que estavam sediadas no Luxemburgo e que, nessa medida, são evidentemente rastreadas e são seguidas em matéria de supervisão pelas autoridades do Luxemburgo. Ora, essas autoridades não são o Governo do Luxemburgo, tal como, em Portugal, não é o Governo português que faz a supervisão do sistema financeiro, é o Banco de Portugal, integrado no Banco Central Europeu», sublinhou Passos Coelho.

Para Portugal, prosseguiu o primeiro-ministro, «o que aconteceu, em particular ao Banco Espírito Santo [BES], foi evidentemente uma má notícia, que terá consequências do ponto de vista económico no futuro de Portugal», mas as decisões que foram tomadas pelas autoridades de supervisão em Portugal, «defendendo a resolução do banco», foram aquelas que, «do ponto de vista do Governo português, melhor defenderam os contribuintes portugueses», reiterou.