
A administração da Parque Expo designou um grupo de trabalho para analisar um conjunto de propostas de aquisição da empresa, que o Governo pretende extinguir.
No final de uma longa reunião com a administração da empresa, Rita Santos, uma das porta-vozes da Comissão de Trabalhadores, disse à Lusa que foi criado um grupo de trabalho, que incluirá elementos das áreas financeiras e técnicas, bem como representantes dos trabalhadores, para «analisar as propostas de algumas entidades para a aquisição da empresa».
A representante dos trabalhadores da Parque Expo recordou que, aquando do anúncio de extinção da empresa, justificado pelo Governo com a sua inviabilidade económica e financeira, «não estava previsto vender nada além de imobiliário», como o Pavilhão Atlântico.
Agora, «há manifestação de interesses» na aquisição da Parque Expo: «Não sabemos é em que moldes».
De acordo com a mesma fonte, a Comissão de Trabalhadores questionou o presidente da Parque Expo sobre este assunto na reunião, mas ficou sem resposta, uma vez que John Antunes teve de abandonar o encontro mais cedo e os restantes administradores da empresa presentes preferiram não abordar o tema.
«Não sabemos se é alienar a empresa toda, se partes, se são particulares ou coletivos. Sabemos que há propostas de algumas entidades e qualquer hipótese da empresa ser aproveitada deve, pelo menos, ser analisada».
«O que nos faz muita confusão é o desperdício do know-how [conhecimento] adquirido durante estes anos. Quando se anunciou a extinção nunca se falou na privatização e isso sempre nos pareceu um grande desperdício. Havendo entidades interessadas é obviamente interessante».
No entanto, «há que olhar para as propostas com olhos de ver», alertou. Assim, o grupo de trabalho, que está a ser constituído, vai analisar a «viabilidade e consistência» das propostas.
Rita Antunes admitiu que as manifestações de interesse surgem na área de projetos internacionais: «Precisamos de saber como é que estão os projetos desta área, se se mantém ativos e o que é que temos para vender».
Os trabalhadores solicitaram uma nova reunião para conhecer como estão os projetos da empresa e tentar perceber se até à extinção da Parque Expo podem ou não continuar a trabalhar «para recuperar e manter clientes», até com vista à venda da empresa.
«Sé para vender, mais vale ter trabalho e uma carteira de clientes ativa do que não ter».
Por outro lado, e uma vez que o anunciado «despedimento coletivo» ainda não avançou, nem tem data prevista, disse, as propostas de aquisição da empresa são vistas pelos trabalhadores como «possíveis soluções».
Rita Antunes salientou ainda a abertura demonstrada pela administração da empresa que, apontou, desde o fim de janeiro que não reunia com a Comissão de Trabalhadores: «É muito difícil dialogar com alguém que não fala, mas agora houve uma abertura».