O antigo administrador do Banif Joaquim Marques dos Santos disse hoje que a viabilidade do banco "nunca esteve em causa", mesmo com o recurso da entidade à linha financeira disponibilizada a propósito do programa de resgate financeiro a Portugal.

O Banif recorreu a 1,1 mil milhões de euros da linha de crédito da ‘troika', mas "a viabilidade do banco nunca esteve em causa", disse Marques dos Santos, que falava na comissão parlamentar de inquérito à resolução do Banif, onde está a ser ouvido desde cerca das 09:45.

O Banco de Portugal, acrescentou o antigo presidente do banco, "radiografou o Banif muitas vezes e de várias posições", e declarou que a entidade tinha condições para reembolsar o Estado.

No começo de 2012, com Marques dos Santos ao leme, as necessidades estimadas do banco eram de 400 milhões de euros, mas o Banif acabou por precisar - já com Jorge Tomé na liderança - de 1,1 mil milhões de euros.

Questionado sobre o porquê deste aumento de necessidade de financiamento, Joaquim Marques dos Santos respondeu: "Não sei explicar, não estava lá, não sei. Certamente que haverá fundamentos", reconheceu, mas disse não ser a pessoa indicada para os descrever.

As audições na comissão parlamentar de inquérito à resolução do Banif começam hoje: de manhã é ouvido o antigo administrador Marques dos Santos - que esteve na liderança do banco entre 2010 e 2012 - e de tarde prestará esclarecimentos aos deputados o também antigo administrador e presidente Jorge Tomé.

O processo de venda do banco, em dezembro de 2015, domina os trabalhos para se proceder à "avaliação de riscos e alternativas" da decisão, "no interesse dos seus trabalhadores, dos depositantes, dos contribuintes e da estabilidade do sistema financeiro".

Também a avaliação do "comportamento da autoridade de supervisão financeira", o Banco de Portugal, sobre o caso Banif, é um dos objetivos da comissão parlamentar de inquérito sobre a venda do banco.

O antigo administrador do Banif disse que ficou "surpreendido" com resolução do banco.

A comissão também tem já agendadas as próximas audições: na quarta-feira, serão ouvidos Luís Amado, ex-administrador do Banif, e, na quinta-feira, será a vez de António Varela, antigo administrador nomeado pelo Estado (de 2013 a 2014) e administrador do Departamento de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal (desde 2014 até março 2016).