O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu esta sexta-feira que a notação da agência Standard & Poors expressa a «confiança crescente no desempenho de Portugal», que se deve «à determinação» do Governo e dos portugueses.

«Representa aquilo que várias outras [agencias de rating] têm vindo também a observar: é uma confiança crescente no desempenho de Portugal», afirmou Pedro Passos Coelho.

O primeiro-ministro falava no debate quinzenal no Parlamento, em resposta ao líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, que se referiu à agência de notação Standard & Poors, que retirou a observação negativa do risco da dívida portuguesa , mas manteve uma perspetiva negativa devido a riscos de instabilidade política e social.

«Deve-se evidentemente àquilo que tem sido a determinação das autoridades portuguesas, do Governo português e, eu acrescento, dos portugueses, porque isto só é possível com determinação os portugueses, em vencerem esta crise e em conseguirem chegar ao fim da assistência económica e financeira», disse.

Isso não aconteceu com o Executivo «a prometer facilidade» de «deixe lá acumular mais 0,2 ou mais 0,3 ou mais 0,1».

«Foi assim que o PS chegou aos 10% de défice várias vezes em Portugal, de défice nas contas públicas e de défice na balança externa do país, 10% ao ano em média em quase dez anos», acusou.

«Mesmo sabendo que as medidas que têm de conduzir à saída da assistência financeira sejam duras e evidentemente não nos deixem confortáveis. Mas os portugueses não escolhem para governar aqueles que procuram o conforto, os portugueses escolhem para governar aqueles que resolvem os problemas e nós temos vindo a resolver os problemas, a pagar as dívidas e a regularizar a situação», afirmou.

«É por isso que as nossas taxas de juro acompanham o grau de confiança que o mercado externo tem em Portugal», argumentou.

Passos defendeu que se o Governo tivesse seguido a política apontada pelo secretário-geral do PS, António José Seguro, o país estaria «há muito tempo a negociar um segundo resgate e não uma saída mais ou menos apoiada do programa de ajustamento».

«É uma medida que devemos, sem sobrevalorizar mas também sem subvalorizar, assinalar», afirmou Nuno Magalhães.

O presidente da bancada centrista sublinhou que a agência de notação justificou a decisão «com o desempenho da economia portuguesa tem sido mais forte que o esperado», confrontado essa posição com a de quem «parece querer fingir» que os sinais de recuperação económica não existem.

Nuno Magalhães frisou ainda que a agência de notação sustenta que Portugal devera atingir o «objetivo orçamental em 2013 de 5,5 e aproximar-se de 4% em 2014, pela estabilização da economia, depois de 10 trimestres negativos, de 1004 dias, em recessão».

«É pena que o Partido Socialista, que quer uma saída limpa, uma saída à irlandesa, aquele que de manhã quer uma saída rapidamente e em força da troika, continue não só a omitir estes dados, como, à tarde, a inviabilizar todo e qualquer tipo de medidas recorrendo aquele que parece hoje o grande ideólogo da oposição do PS, que é o Tribunal Constitucional», argumentou.