A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, vão ser ouvidos no Parlamento a 8 e 14 de outubro sobre a demissão de Vítor Bento da liderança do Novo Banco.

O presidente da Comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, Eduardo Cabrita (PS), informou os deputados das datas previstas para a audição da ministra das Finanças e do governador do Banco de Portugal (BdP): 08 e 14 de outubro, respetivamente.

A 16 de setembro, a mesma comissão aprovou por unanimidade um requerimento do Bloco de Esquerda (BE) para ouvir Maria Luís Albuquerque e Carlos Costa sobre a demissão da administração liderada por Vítor Bento do Novo Banco.

«Alegaram-se divergências entre a administração, que pretendia uma reestruturação sólida do Novo Banco, e os objetivos políticos que pressionam para uma venda rápida da instituição. Perante esta situação, que mantém a turbulência do caso BES [Banco Espírito Santo], e tendo em conta que o Novo Banco, detido pelo Fundo de Resolução, é uma entidade bancária capitalizada com dinheiros públicos, são necessárias mais explicações, assim como a clarificação dos objetivos do governo e do Banco de Portugal para o Novo Banco», justificou o BE no documento que a Lusa cita.

No mesmo dia, o PS requereu oralmente a audição do ex-presidente do Novo Banco, Vítor Bento, mas o economista acabou por recusar esclarecimentos adicionais sobre a sua demissão aos deputados da comissão de Finanças por não ter «nada a acrescentar».

Eduardo Stock da Cunha foi o escolhido para suceder a Vítor Bento na liderança do Novo Banco, depois de o último ter pedido para deixar o cargo há cerca de duas semanas, apenas dois meses depois de ter sido nomeado.

Da equipa de gestão do Novo Banco, também o vice-presidente, José Honório, e o administrador financeiro, João Moreira Rato, acompanharam a decisão de Vítor Bento e deixaram a instituição.

Já a nova equipa de gestão inclui ainda Jorge Freire Cardoso (administrador financeiro), Vítor Fernandes e José João Guilherme.

No início de agosto, o BdP tomou o controlo do BES, depois de o banco ter apresentado prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades distintas.

No chamado «banco mau», um veículo que mantém o nome BES mas que está em liquidação, ficaram concentrados os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas.

No «banco bom», o banco de transição que foi chamado de Novo Banco, ficaram os ativos e passivos considerados não problemáticos.