O ministro das Finanças afirmou esta quarta-feira no parlamento que a política de austeridade vai entrar "no princípio do seu fim" e garantiu que este Governo não vai promover a competitividade do país pela desvalorização dos salários.

"A austeridade entra no princípio do seu fim quando optamos por promover os rendimentos", afirmou Mário Centeno que está hoje a ser ouvido nas comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa e de Trabalho e Segurança Social a propósito da proposta de Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), que foi entregue na Assembleia da República na passada sexta-feira.

Numa intervenção marcada por vários recados aos deputados da oposição e em que várias vezes reiterou que o que propôs é um "orçamento de responsabilidade", Mário Centeno assegurou que não irá mexer nos salários para aumentar a competitividade do país: "Não verão este Governo a promover a competitividade da economia pela desvalorização dos salários", disse.

O governante sublinhou que o diploma que agora apresenta pretende "prosseguir uma gestão orçamental equilibrada, com a diminuição da carga fiscal e com a recuperação dos rendimentos das famílias e das empresas" e disse que o Governo vai "virar a página da austeridade assumindo escolhas claras".

O exemplo dado por Mário Centeno foi o da carga fiscal: "Os impostos [previstos para 2016] estão 291 milhões de euros abaixo do que o anterior Governo se tinha comprometido com Bruxelas, o peso dos impostos diminuirá 0,22 pontos percentuais do PIB [Produto Interno Bruto]. Nenhum dos principais impostos teve as suas taxas agravadas - IRS, IRS e IVA não foram alterados - e o aumento nominal da receita fiscal acontece porque assim sempre acontece em economias que crescem", afirmou.