O Parlamento dos Açores aprovou na madrugada deste sábado uma ante-proposta de lei do PS, a enviar à Assembleia da República, que prevê um aumento do salário mínimo nacional de 485 para 500 euros mensais.

A proposta socialista foi apresentada como uma iniciativa de «relevância social» e um «contributo para a economia», mas mereceu a crítica de toda a oposição, que acusou a bancada da maioria de «incoerência», por ter chumbado, ainda esta semana, uma proposta do BE de aumento do salário mínimo nos Açores.

«Isto é um autêntico monumento ao cinismo e à hipocrisia política», acusou Zuraida Soares, do Bloco de Esquerda, que não entende porque razão o PS chumbou o aumento do salário mínimo na região e vem agora exigi-lo à República.

Aníbal Pires, do PCP, alegou que o PS apresentou esta proposta «porque sabe que o Governo da República não a vai aprovar».

«Os senhores estão a exigir que outros façam aquilo que não querem fazer», acusou Nuno Melo Alves, da bancada do CDS, que considera «incoerente» a proposta socialista, embora tenha votado a favor.

Paulo Estevão, do PPM, optou pela abstenção, por entender que o aumento ao salário mínimo agora proposto pelo PS/Açores revela «demasiado cinismo» para que possa ser aprovado de ânimo leve.

Já a bancada do PSD votou contra porque, segundo o deputado António Marinho, esta medida iria ter «consequências nefastas» para as empresas portuguesas, que já estão a passar "dificuldades" na atual conjuntura enconómica.

Mas Graça Silva, do PS, lembrou que tanto o PSD como o CDS da Madeira aprovaram uma proposta de teor semelhante e lamentou que aqueles dois partidos não tenham tido a "coragem" de votar da mesma forma nos Açores.

A ante-proposta de lei aprovada no Parlamento dos Açores, com os votos a favor do PS, PCP, BE e CDS, a abstenção do PPM e os votos contra do PSD, será remetida à Assembleia da República.

Caso venha a ser aprovada em Lisboa, esta proposta fará com que, por via do acréscimo regional de 5 % ao salário mínimo, o valor mínimo pago na Região passe de 509 para 525 euros mensais, apurou a Lusa.