O presidente do Parlamento Europeu considera que a Grécia não tem mais por onde cortar nas pensões.
 
Martin Schulz, referindo-se à nova proposta apresentada por Atenas, defende que, qualquer que seja a solução encontrada para a crise grega, não deve sobrecarregar mais o fardo do povo grego.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, reúnem-se esta quarta-feira em Bruxelas, à margem de uma cimeira, para desbloquear as negociações sobre a assistência financeira a Atenas. 

Trata-se da II cimeira entre a União Europeia (UE) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, que juntará hoje e quinta-feira perto de 60 chefes de Estado e de Governo (dos 28 Estados-membros da União Europeia e dos 33 da Celac), estando Portugal representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete. 

À margem da cimeira, e tal como tem vindo a suceder nos últimos meses sempre que os líderes europeus se juntam para uma reunião, haverá discussões sobre a Grécia, daí o encontro entre Tsipras, Merkel e Hollande. 

Em cima da mesa do encontro voltam a estar posições até agora inconciliáveis entre a Grécia e os seus parceiros europeus. 

Na terça-feira o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, voltou a contrariar o otimismo grego sobre a iminência de um acordo com os credores, alegando que Atenas tem subestimado a complexidade das medidas que lhe são pedidas para recuperar a economia. 

Alexis Tsipras tinha afirmado antes que o acordo está "muito próximo" e que Atenas tinha apresentado novas medidas tendo em vista desbloquear os 7,2 mil milhões de euros que fazem parte do empréstimo concedido em 2012 e que estão suspensos há meses. 

Após um fim de semana de tensão, a Grécia retomou terça-feira as negociações com os credores europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Atenas entregou "dois textos" com propostas ao comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici. 

O governo grego liderado pelo Syriza (esquerda radical) já tinha apresentado uma proposta com algumas cedências em relação às promessas eleitorais, mas estas foram consideradas insuficientes pelos credores. 

As conversações foram travadas na semana passada por medidas relativas à reforma do sistema de pensões e subida do IVA na eletricidade. 

A Grécia enfrenta problemas de liquidez e vai ter de pagar perto de 1,6 mil milhões de euros ao FMI a 30 de junho.