Os deputados europeus querem que todas as decisões sobre futuras ajudas financeiras a Estados-membros sejam decididas no Parlamento Europeu, mas não excluem a participação do Fundo Monetário Internacional em eventuais novos programas.

Numa conferência de imprensa em Lisboa, o eurodeputado austríaco e vice-presidente do Parlamento Europeu Othmar Karas, relator do documento que o Parlamento Europeu vai redigir sobre os quatro países intervencionados pela troika explicou que os eurodeputados querem chamar a si a responsabilidade da resolução de crises no futuro.

«No futuro, é nossa intenção que nenhuma decisão europeia seja tomada sem legitimidade europeia. (...) Nenhuma decisão deve ser tomada sem o Parlamento Europeu», afirmou o responsável.

Os eurodeputados reafirmaram que a troika foi uma solução temporária e não um instrumento da lei europeia, mas consideram que apesar de mais preparada, a União Europeia ainda não tem os instrumentos para lidar com a crise e não afastam a presença do Fundo Monetário Internacional em futuros programas.

«Todos os Estados-membros são membros do FMI, todos têm o direito legal do FMI os ajudar e essa foi a razão pela qual o FMI foi chamado. Era o único que tinha a experiência para lidar com crises como esta», afirmou o deputado austríaco.

Os eurodeputados veem ainda no relatório que estão a compor sobre a atuação da troika nos diferentes países uma oportunidade de guiar as alterações aos tratados europeus, que já vêm sendo reclamadas como necessárias pela Alemanha, por exemplo, mas não só.