A Comissão Europeia deve criar um fundo próprio para substituir o Fundo Monetário Internacional em futuros resgates, defende o relatório final da comissão do Parlamento Europeu a que a Lusa teve acesso.

O relatório da comissão do Parlamento Europeu de investigação à atuação da troika nos países sob resgate, aprovado hoje à noite em Estrasburgo, critica a falta de adequação dos programas à especificidade dos países resgatados e «a falta de transparência das instituições internacionais».

O documento considera ainda que os parlamentos nacionais têm sido postos à margem da execução dos programas de austeridade.

O relatório final do Parlamento Europeu insurge-se contra a falta de liderança política de alguns ministros das Finanças na condução dos programas e pede maior empenho aos representantes da zona euro.

Os eurodeputados recomendam aos responsáveis das instituições que compõem a troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) que o FMI abandone as equipas constituídas para futuros programas de assistência económico-financeira.

Em alternativa, a Comissão Europeia deve apresentar em 2014 a criação de um fundo próprio, denominado fundo monetário europeu.

Finalmente, o Parlamento Europeu, após vários meses de processo de investigação, adverte ainda para a necessidade de um maior envolvimento dos parceiros sociais nas negociações das medidas a aplicar e para a criação de «planos B», em caso de falhanço das metas.

O relatório aprovado hoje pela Comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, cujos relatores foram os eurodeputados Othmar Karas (PPE) e Liem Hoang-Ngoc (socialista), terá agora de ser aprovado em sessão plenária, em março em Estrasburgo.