Os trabalhadores da papeleira Soporcel, da Figueira da Foz, iniciaram às 20:00 desta terça-feira um período de greve pela primeira vez na história da empresa, que pode durar oito dias.

Num plenário realizado na segunda-feira, os trabalhadores decidiram manter os pré-avisos que determinam dois períodos de paralisação de quatro dias, o primeiro a iniciar hoje às 20:00 e a terminar às 24:00 de 31 de maio, e o segundo a começar às 00:00 de 02 de junho até às 24:00 de 05 de junho.

O porta-voz da Comissão Sindical, Vítor Abreu, disse hoje à agência Lusa que as instalações foram seladas «de acordo com a direção fabril» e que já não entram camiões na empresa, situada em Lavos.

«Foi iniciada a paragem da laboração e já não há pasta nem papel nas máquinas», explicou o sindicalista, referindo que nas instalações da empresa estão a funcionar dois piquetes de greve, um deles com cerca de 100 trabalhadores.

Segundo Vítor Abreu, a adesão «é muito global» com cerca de 90% dos 683 trabalhadores a participarem na greve contra as decisões da empresa relativas ao fundo de pensões, discussão que se arrasta há quase seis meses.

Os trabalhadores da Soporcel protestam contra as alterações ao fundo de pensões que, de acordo com fonte sindical, passará do sistema atual, intitulado de «benefício definido» - a empresa contribui com 08% do salário dos trabalhadores e garante o capital do fundo - para um sistema de «contribuições definidas», em que a participação da empresa baixa para os 04% (podendo os colaboradores, voluntariamente, contribuírem com a percentagem que quiserem) mas o capital existente no fundo passa a depender das flutuações do mercado e outros aspetos.

Os trabalhadores alegam que com as novas regras vão ter um prejuízo de 40 a 60% nas suas pensões.

O coordenador da União de Sindicatos de Coimbra, António Moreira, destacou segunda-feira à agência Lusa a «sistemática recusa» da administração da empresa, que integra o grupo Portucel Soporcel, segundo maior exportador nacional em 2013, em discutir com os representantes dos trabalhadores um caderno reivindicativo para 2014 apresentado em março e questões de relação laboral.

A contestação ao novo fundo de pensões levou os trabalhadores da Soporcel a intentarem uma ação judicial, em março, no tribunal administrativo, contra uma deliberação do Instituto de Seguros de Portugal e outra ação judicial, contra a própria empresa e relacionada com questões laborais está, segundo António Moreira, "pronta para avançar" para o tribunal do Trabalho.

A unidade industrial da Soporcel, situada em Lavos, Figueira da Foz, entrou em funcionamento em 1984 e desde essa data não havia registo da convocação de nenhuma greve dos trabalhadores.