Agora que o Banco de Portugal se sentou à mesma mesa com a CMVM e o representante do Governo, começa a desenhar-se uma solução para os lesados do BES, que compraram aos balcões do banco, papel comercial de empresas do Grupo Espírito Santo.

 

Ao que a TVI apurou, a solução pode não ser igual para todos. Uma das possibilidades avançadas é que haja uma discriminação positiva, beneficiando sobretudo os iletrados e os que foram comprovadamente enganados.

 

Mas há mais: a solução pode nem sequer abranger todos os lesados. No total estima-se que cerca de 2.500 pessoas tenham subscrito mais de 500 milhões de euros de papel comercial, mas a solução que vier a ser encontrada pode só abranger alguns, nomeadamente os de retalho, representados pela associação dos lesados, que tem participado nestas negociações.

 

Ao que a TVI apurou, a associação representa cerca de 750 lesados, detentores de quase 150 milhões de euros em papel comercial, e há pressões para que sejam só estes os abrangidos.

 

Em declarações à TVI, João Salva, vice-presidente da associação, recusa uma diferenciação dos lesados, considerando que todos foram enganados pelas garantias de estabilidade do BES dadas pelo Banco de Portugal, e pela existência de uma provisão para garantir aquele papel comercial.

 

“O perímetro dos lesados que serão abrangidos não é delineado por nós, isso está nas mãos do Banco de Portugal e da CMVM. Admitimos que haja investidores institucionais, pequenas e grandes empresas, não sabemos qual é o universo, mas nós representamos os clientes de retalho e esses achamos que devem ser todos tratados da mesma maneira”.

 

Há também um entendimento comum de que deve ser realizada rapidamente uma libertação de capital para fazer face aos casos socialmente mais graves, sobretudo idosos que não têm sequer dinheiro para viver condignamente. A grande questão agora é saber de onde vem esse capital.

 

“Admitimos que um mecanismo como o Fundo de Garantia de Depósitos possa ser acionado”.