Os preços das casas nos países europeus periféricos mais atingidos pela crise da dívida soberana estão a começar a recuperar, mas com ritmos diferentes, segundo a agência Fitch, que diz que o mercado imobiliário português estabilizou, ainda que permaneça frágil.

«O mercado irlandês já deixou para trás as dificuldades, o mercado português estabilizou, embora continue frágil, e o mercado espanhol deverá atingir o seu pico mais baixo por volta do início de 2015», lê-se numa nota de análise da Fitch Ratings.

A agência de notação financeira acrescentou que «os mercados italianos e grego, que foram abaixo por causa dos problemas mais extensos da economia, e não devido a uma crise no setor imobiliário, ainda estão a cair mas as suas economias estão a começar a recuperar e o imobiliário deverá seguir essa tendência».

De acordo com a Fitch, «a estabilização dos preços no mercado imobiliário em Portugal em 2013 pode ser prematura, tendo sido baseada num número baixo de transações», ao passo que «a manutenção do processo de desalavancagem do setor bancário está a restringir o acesso ao crédito e a procura continua limitada», o que poderá significar uma «futura descida nos preços das casas» em Portugal.

«A economia espanhola está a crescer e o desemprego a baixar o que, no longo prazo, vai ajudar a impulsionar os preços das casas. Contudo, o mercado tem um excesso de oferta de propriedades e a procura continua constrangida pelo elevado nível de desemprego e pelos custos de crédito,

ao mesmo tempo que o rendimento real das famílias caiu», sublinharam os especialistas da agência de rating.

A Fitch antecipou uma subida de até 9% nos preços das casas na Irlanda, que tiveram a maior queda na Europa, quase 50% desde os máximos de 2007. No último ano, os preços das casas cresceram em média 6% na Irlanda, com uma recuperação muito mais forte nos centros urbanos, especialmente, na capital Dublin, do que no resto do país.

«As economias de Portugal, Itália e Grécia começaram a melhorar. Antecipamos um crescimento tímido do Produto Interno Bruto (PIB) dos três países em 2014 e em 2015, mas o mercado imobiliário permanece fraco e pensamos que vão haver novas correções de preços antes da sua estabilização», sublinhou a entidade.

Em Itália, «a correção de preços começou a abrandar.

Esperamos que os preços das casas continuem a cair, até 7%, com o pico mínimo a tocar nos 20%, uma ligeira redução face à anterior previsão de 22%», informou a Fitch.

Por fim, na Grécia, a agência considerou que o

«financiamento limitado e a grande pressão financeira sobre os proprietários continua a colocar pressão sobre os preços das casas. Antecipamos que continuem a cair (11%), com o pico previsto nos 45%, antes de estabilizarem».