O Pingo Doce voltou a antecipar o pagamento aos pequenos produtores em dez dias, medida que entra esta quinta-feira em vigor e que é válida por 12 meses, disse à Lusa o diretor comercial da rede de supermercados da Jerónimo Martins.

No ano passado, o Pingo Doce já tinha renovado o acordo assinado com a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), sendo que este é o terceiro ano em que a medida vigora. Questionado sobre o impacto desta medida, o diretor comercial do Pingo Doce, Pedro Leandro, adiantou que deverá rondar entre os 50 e os 60 milhões de euros.

«No fundo, este dinheiro que deixa de estar nas nossas mãos é injetado no setor primário, permitindo contribuir para a sua sustentação», disse Pedro Leandro, sublinhando que a medida se «destina aos fornecedores nacionais», como os pequenos e médios produtores de fruta, legumes, carne, peixe, vinhos e charcutaria, «com modelos de negócio viáveis, mas cuja sustentabilidade está ameaçada» pela situação económica.

«Como é natural, não podendo antecipar o prazo de pagamento a todos os nossos fornecedores nacionais em situação de dificuldade, escolhemos empresas em cujos negócios acreditamos, que nos têm vindo a dar sinais consistentes de se encontrarem em dificuldades de liquidez e para as quais o custo da dívida se tornou incomportável (ao ponto de poder inviabilizar os seus negócios), e que, simultaneamente, sejam nossos parceiros há pelo menos cinco anos, tenham uma relação de dependência com o Pingo Doce correspondente a 50% ou mais do seu volume de vendas e tenham um nível de serviço de pelo menos 95%», acrescentou.

Desde 2012, «já beneficiaram desta medida mais de 500 produtores nacionais», disse.

Questionado sobre a razão da nova antecipação do pagamento, Pedro Leandro explicou que resulta da «constatação de grandes dificuldades de tesouraria e acesso ao crédito» dos fornecedores do Pingo Doce.

«Esta é uma medida extraordinária, motivada por uma situação de exceção que se vive em Portugal também na agricultura», afirmou.

Em declarações à Lusa, o presidente da CAP, João Machado, classificou a medida como «muito importante», afirmando que «pode ajudar a produção nacional», já que recebe «mais cedo».

Esta medida «abrange muitos produtores, adianta dinheiro sem custos financeiros e ajuda as empresas a continuarem a laborar», acrescentou.

Questionado sobre o balanço de dois anos desta medida, João Machado disse que esta só tinha «aspetos positivos», uma vez que ajuda «a produção nacional».

Atualmente, disse o presidente da CAP, apenas o Pingo Doce antecipa o pagamento a pequenos produtores, já que «não foi possível estender a outros hipermercados».