Os deputados alemães aprovaram hoje uma melhoria no sistema de reformas e pensões que vai custar ao Estado 60 mil milhões de euros e tem suscitado críticas, incluindo na coligação de Angela Merkel.

O pacote legislativo, aprovado a dois dias das eleições europeias, permite a reforma aos 63 anos para trabalhadores que têm 45 anos de descontos, quando anteriormente tinha sido aprovado um aumento progressivo da idade da reforma para 67 anos.

Há também um aumento das pensões para as mulheres que tiveram filhos antes de 1992.

Merkel defendeu a proposta, considerando que é «justa» para as mães de famílias e para os que trabalharam durante muito tempo.

A reforma permite que «os que contribuíram para a nossa prosperidade beneficiem dela», declarou no Parlamento a ministra do Trabalho, a social-democrata Andrea Nahles.

Este argumento parece convencer os alemães, 73% congratulam-se com o projeto, segundo uma sondagem divulgada hoje.

A melhoria no sistema de reformas vai custar 60 mil milhões de euros até 2020, no essencial para «a reforma das mães». Muitas mulheres que deixaram de trabalhar para criar os filhos atingem a idade da reforma com a perspetiva de uma pensão irrisória.

Por outro lado, a reforma aos 63 anos para os que têm 45 anos de descontos tinha sido uma promessa dos sociais-democratas, parceiros de coligação do partido de Merkel no Governo.

A nova lei foi criticada pelos empresários e por vários institutos económicos do país, que disseram que vai «na direção errada».

No campo político da chanceler, o deputado Christian von Stetten considerou que se trata de «um passo atrás». O ex-chanceler social-democrata Gerhard Schröder também criticou o projeto e o ex-ministro do Trabalho Franz Müntefering classificou-o como «absurdo».

O primeiro governo liderado por Merkel decidiu em 2007 um aumento gradual da idade da reforma para os 67 anos, o que justificou com a evolução demográfica (o envelhecimento do país) e com a necessidade de garantir o financiamento do sistema de pensões.

Esta reforma entrará em vigor a 1 de julho e é apontada como um dos grandes projetos da atual coligação governamental, a par da criação do salário mínimo e da reforma do mercado da energia.