A Uber vai entrar no negócio dos camiões. A recente compra que fez da startup Otto, dedicada precisamente a pesados autónomos, sem condutor, permite-lhe arriscar nesta área. Tem como objetivo o transporte de carga de longa distância e, ao mesmo tempo, ser um parceiro de tecnologia para a indústria. 

A Otto teve autorizações do Departamento de Transportes e do Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia, nos Estados Unidos, para transportar carga desde o início deste ano. Com cerca de 90 empregados, foi fundada por engenheiros que vieram da Google, como Anthony Lewandowski e Lior Ron, que passaram a assumir cargos de responsabilidade no departamento de veículos autónomos da Uber.

Atualmente com apenas seis camiões, a Otto pretende aumentar a frota para 15, tendo como foco abastecer armazéns e lojas, segundo disse o segundo responsável, em entrevista à Reuters. A licença já está pedida. Motoristas interessados não faltarão, adiantou.

Mais do que veículos sem condutor

A Uber já está a desencadear contactos com empresas, frotas de camiões e motoristas independentes. Algumas companhias já foram desafiadas, desde aquelas que têm capital aberto, às de logística como a CH Robinson e XPO Logistics. 

A conhecida plataforma eletrónica de transporte - que em Portugal e noutros países têm dado muitas dores de cabeça aos taxistas - pretende ter serviços muito além do objetivo inicialmente declarado pela Otto de simplesmente equipar pesados com tecnologia de auto-condução. 

Até porque a condução sem condutores, no caso dos camiões, estará a anos de distância de ser uma realidade habitual. Os especialistas da indústria estimam que isso possa acontecer apenas dentro de duas décadas e há quem esteja cético em relação à força de uma startup para ganhar escala. Para além de enfrentar já concorrência nessa matéria. 

Seja como for, a aposta está lá, associada a uma série de outras: a ideia é mesmo competir no mercado de transporte de carga e desenvolver tecnologias de ponta no que toca a navegação, mapeamento e rastreamento. 

Veremos se o dinheiro que a Uber deu pela Otto - 680 milhões de dólares (605 milhões de euros) - dará frutos.