O BBVA estima que o crescimento da economia portuguesa fique abaixo do previsto pelo Governo este ano, nos 1,3%, afirmando por isso que há “riscos altos de desvio” no défice, que poderá ficar nos 2,6% do PIB em 2016.

Numa análise económica divulgada esta quinta-feira, o banco espanhol BBVA mantém a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos 1,3% este ano, valor que já tinha apresentado há cerca de três meses e que fica 0,5 pontos percentuais abaixo dos 1,8% previstos pelo Governo na proposta de Orçamento do Estado para 2016 (OE2016).

“Para 2016, os preços mais baixos da energia deveriam apoiar a procura, mas a maior incerteza sobre o crescimento global e as variáveis financeiras pode ter um impacto sobre as exportações e o investimento, pelo que não mudamos a nossa previsão de crescimento de 1,3%”, explica o banco.

Lembrando que a proposta de OE2016, que está a ser debatida na especialidade e tem votação final global marcada para meados de março, prevê uma redução do défice até aos 2,2% do PIB, o BBVA afirma que os “riscos de desvio são altos”.

“Sobretudo porque as perspetivas económicas do Governo continuam a ser, na nossa opinião, otimistas (apesar de o Governo as ter reduzido até aos 1,8%, a nossa previsão é de 1,3%)”, justifica o banco espanhol.

Assim, conclui o BBVA, “devido a esta previsão e aos maiores spreads da dívida, os riscos de incumprimento do objetivo de défice são elevados”, salientando que “uma melhoria cíclica das contas um pouco mais moderada (cerca de 0,4 pontos percentuais do PIB) e um aumento do pagamento dos juros de cerca de 0,1 pontos, poderão situar o défice este ano em cerca de 2,6% do PIB”.

Já no que diz respeito a 2017, o banco espanhol estima também que a economia portuguesa cresça apenas 1,6% no próximo ano, um ritmo ainda inferior ao estimado pelo executivo socialista para 2016.

A previsão do BBVA de crescimento económico para o próximo ano reflete “um melhor desempenho da procura doméstica, especialmente do investimento, que deveria crescer a um ritmo robusto (4,5% após os 1,8% previstos para este ano), enquanto o aumento em paralelo de exportações e importações deveria acabar num leve contributo negativo”.