A paralisia no Governo federal norte-americano, em vigor há uma semana, já custou à economia mais de 1,5 mil milhões de euros, de acordo com estimativas da consultora Lexington IHS, e não tem ainda solução à vista.

De acordo com a Lexington IHS, cada dia de paralisação do Governo federal custa aos Estados Unidos cerca de 300 milhões de dólares, o que apesar de ser uma gota no oceano da economia que vale 15,7 triliões de dólares, custa bem mais do que o seu valor monetário.

«A despesa feita pelo Governo toca todos os campos da economia, e qualquer perturbação nessa despesa, mais do que a perda direta de receita, ameaça a confiança dos investidores e dos consumidores de formas que podem afetar seriamente o crescimento económico», disse à Bloomberg o analista chefe de outra consultora, a Janney Montgomery Scott LLC, em Filadélfia.

O impasse mantém-se ao mais alto nível nos Estados Unidos, com a Casa Branca a rejeitar, aparentemente, a última proposta dos republicanos: aprovar o orçamento e o aumento ao limite da dívida em troca de uma discussão alargada sobre a despesa que faz aumentar a própria dívida, afastando-se assim politicamente do debate sobre quem tem a responsabilidade de obrigar cerca de 800 mil funcionários públicos a ficarem em casa sem receber salário pelo sétimo dia consecutivo.

A batalha do lado dos conservadores tem sido liderada pelo representante desta força política, John Boehner, que numa entrevista recente admitiu que impor uma paralisia aos serviços públicos federais dos Estados Unidos não foi uma escolha sua.

Numa entrevista à estação de televisão ABC, citada pelo «Wall Street Journal», Boehner foi claro: «pensei que esta batalha ia ser travada a propósito do teto da dívida. O facto é que esta batalha havia de chegar, de uma maneira ou de outra», afirmou.

Em causa está a fação mais conservadora do Partido Republicano, conhecida como Tea Party, que defende, na sua essência, um Governo mais pequeno e com menor grau de intervenção, e que encara a nova lei sobre os cuidados de saúde, que ficou conhecida como Obamacare, como um «socialismo inaceitável».

Segundo o Departamento do Tesouro norte-americano, ao meio-dia da última sexta-feira a dívida nacional totalizava 16,747 biliões de dólares (cerca de 12,4 biliões de euros), acima do máximo autorizado pelo Congresso de 16.699 biliões de dólares.

Em 2011, a maioria republicana opôs-se ao aumento da dívida autorizada até que negociou com a administração Obama um pacto que instituiu cortes em todos os gastos federais, que entrou em vigor a 01 de março deste ano.

Em julho desse ano, só ao último minuto foi conseguido o acordo entre democratas e republicanos que permitiu aumentar o teto da dívida e evitar a falha dos pagamentos, o que levou mesmo as agências de rating a porem em causa a nota da dívida dos Estados Unidos.