O primeiro-ministro só responde genericamente quando o assunto é o novo imposto sobre o património, defendendo que "é da mais elementar justiça". E nada diz sobre os detalhes da medida: quantos contribuintes, que taxa, quem fica de fora, etc. No primeiro debate quinzenal depois das férias, remeteu todas estas respostas para o Orçamento do Estado que, anunciou, vai dar entrada na Assembleia da República no próximo dia 14 de outubro.

Este é o documento que gere as contas públicas e que serve de previsão, uns meses antes, sobre como a carteira dos portugueses poderá ficar mais ou menos cheia no ano que se avizinha. Já é comum que seja entregue a meio desse mês, mas normalmente é no dia 15. Só que, este ano, 15 será um sábado. Daí o Governo poder optar por entregá-lo na sexta, 14, ou na segunda, 17. Será ao fechar da primeira quinzena, portanto.

Os detalhes do novo imposto sobre o património e o possível aumento de impostos indiretos admitido pelo ministro das Finanças, serão conhecidos só nessa altura, embora o Bloco de Esquerda, sobretudo, já tenha deixado no ar o que aí vem.

Hoje, no regresso aos debates parlamentares pós-férias, o novo imposto sobre o património foi, de resto, o tema quente. O PSD foi o primeiro a falar, mas sobre este assunto remeteu-se ao silêncio, e depois já não teve tempo de antena para responder às críticas iniciadas pelo BE e secundadas pelo PCP e pelo primeiro-ministro socialista.

O CDS-PP, que falou em terceiro, colocou questões diretas a António Costa, mas este pouco acrescentou ao que já se sabe

Estas matérias fiscais - e outras - poderão ser alvo de alterações até à proposta do segundo Orçamento que contará - pelo menos é o que se espera - com o apoio de BE, PCP e PEV pelo segundo ano consecutivo.

29 de novembro será também uma data a apontar na agenda. Será nesse dia que terá votação final global o Orçamento do Estado para 2017. 

Antes da votação final global, há vários passos. Um calendário bastante intensivo:

14 de outubro Entrega da proposta de Orçamento do Estado para 2017 na Assembleia da República (será nesse dia de conhecimento público dos portugueses)
25 de outubro Primeira audição do ministro das Finanças, Mário Centeno, em sede de comissão parlamentar
26 de outubro Audição do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social também em sede de comissão
3 de novembro Debate na generalidade da proposta de Orçamento, pelas 15:00
4 de novembro Continuação do debate na generalidade, pelas 10:00
Entre 7 e 18 de novembro Audição dos restantes ministros, sendo que no último dia voltará a ser ouvido Mário Centeno. Dia 18 é também o prazo limite para os partidos apresentarem propostas de alteração
24, 25 e 28 de novembro Debate na especialidade em plenário
29 de novembro Encerramento do debate na especialidade e votação final global