"Desenganem-se", o Orçamento do Estado para 2016 tem pai. O ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social elevou a voz durante o debate do documento na Assembleia da República para falar em nome de todo o Governo: "Nós assumimos este Orçamento como nosso". Desferiu uma série de ataques à direita, no discurso e nas respostas ao PSD. Olhando para a bancada laranja, chegou até a dizer que Passos Coelho parece um primeiro-ministro no exílio, que se remete ao silêncio e não vai apresentar propostas na especialidade para melhorar o Orçamento.

"Os senhores não aceitaram plenamente os resultados do exercício da democracia. Os senhores têm sentado na vossa bancada alguém que parece desempenhar o lugar de primeiro-ministro no exílio. E, por isso mesmo, nada têm a dizer sobre este Orçamento. Parecem aquelas equipas de futebol amadoras que perdem um jogo e ficam à beira do campo a reclamar permanentemente do resultado".

Vieira da Silva aproveitou a onda musical do debate - citou-se Sérgio Godinho, Jorge Palma e Zeca Afonso, para também dizer um verso do primeiro daqueles três adaptado à direita: "Já é tempo de saírem desse lugar em que os senhores parecem estar à espera do comboio na paragem do autocarro". 

Ao contrário daquilo que acusou PSD e CDS-PP de fazerem, o governante defendeu que "os pobres não podem ser o alvo das políticas orçamentais" e que este Governo "não abdicará" do papel do Estado e das políticas públicas. Os compromissos eleitorais, esses, garante estarem no documento, como a reposição dos salários,o combate à quebra do valor das pensões, o aumento do salário mínimo, lo aumento dos mínimos sociais.

"E principalmente não está lá a contribuição de sustentabilidade que só por chumbo do Tribunal Constitucional os senhores não aplicaram na última legislatura. E não está lá a continuação dos cortes na administração pública que os senhores queriam até aplicar a salários mais baixos e só não o fizeram porque o TC não permitiu. E só não está lá o corte das pensões que os senhores prometeram a Bruxelas e esconderam nas eleições, porque os senhores perderam as eleições".

Ou seja, para o ministro, este Orçamento "vale pelo que lá está, mas também vale por aquilo que não tem das políticas da direita, da recessão, do retrocesso social".

PSD acusa Governo de maquilhar contas da Segurança Social

Nos pedidos de esclarecimento, o deputado Adão Silva (PSD) pegou nas declarações de Vieira da Silva: "Claro que é o vosso Orçamento, o senhor realmente é um homem bravo para dizer estas coisas notáveis", ironizou, para depois falar noutro aspeto de "bravata". "Perante a trilogia emprego, emprego, emprego, viria aí uma criação apoteótica de emprego, mas crescerá apenas 0,8%, um terço abaixo do que cresceu em 2015", constatou.

"Ora aí está tanta bravata. O problema é que perante um crescimento de emprego tão modesto, há crescimento exponencial das contribuições para a Segurança Social: 5,7% sete vezes mais do que o emprego. E isso será porquê? Os senhores têm de dar cosmética às contas da Segurança Social".

Vieira da Silva contra-atacou: "Eu não lhe exigiria nem bravura, nem bravata, exigia apenas o mínimo de dignidade para se continua no programa do PSD o corte de 600 milhões que os senhores esconderam nos últimos meses". 

E, sobre a "cosmética" nas contas da Segurança Social, disse que o problema é, antes, a "subsidiodependência" criada pela direita no emprego, o que gerou "sérias dificuldades aos valores financeiros". Mas o Orçamento prevê que não se esteja" dependente de tantos empregos falsos e estágios pagos a peso de ouro".

O ministro afiançou, de resto, que as contas estão, até agora, "perfeitamente em linha com aquilo que está orçamentado".

 

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