Se o ditado diz que de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento, em Portugal a união entre as bancadas parlamentares das esquerdas casou bem e os ventos estão a favor. Pelo menos é o que antecipa o primeiro-ministro.

Depois das celebrações oficiais do Dia da República, este 5 de Outubro, António Costa, que não discursou - essa tarefa foi do Presidente da República e do presidente da câmara de Lisboa - disse aos jornalistas que está confiante num "bom Orçamento", a apresentar na próxima semana, dia 14.

É essencial que [os] objetivos [de PS, BE e PCP], tal como este ano, se possam casar harmoniosamente. E é esse trabalho que está feito e, por isso, vamos continuar ao longo desta semana e estou certo de que para a semana apresentaremos um bom orçamento para 2017".

 

Sem levantar o véu a mais medidas, sendo que recentemente foram anunciados um novo imposto sobre o património e um imposto indireto, este sem detalhes, bem como o aumento das pensões, mas o chefe de Governo indicou esta quarta-feira só os princípios orientadores que estão em cima da mesa das negociações com os partidos mais à esquerda do PS.

Elencou, nesse sentido, várias "necessidades": continuar a trajetória de reposição de rendimentos para as famílias,  criar melhores condições para criar investimento e consolidar as finanças públicas.

Sim, esses digamos princípios políticos fundamentais estão adquiridos, agora temos obviamente que fazer as contas". 

O que dizem PCP e BE

Também João Oliveira, do PCP, falou com os jornalistas, colocando a tónica no aumento das pensões: "Estamos a bater nos por um aumento real que corresponda a esse objetivo de reposição do poder de compra".

Os comunistas defendem uma subida de 10 euros. Questionado sobre se isso é uma linha vermelha do PCP, o deputado disse que o partido não se posiciona com linhas vermelhas na política nem aceita tudo.

Da parte do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares disse querer garantir que o Orçamento para 2017 será "mais um passo" na retoma de rendimentos por parte das famílias: "Garantir que aquilo que foi conquistado se manterá e será aditivado em 2017".