Que plus tem Portugal a oferecer, sobretudo a um mercado como este? O efeito «novidade» num mercado habituado a fornecedores tradicionais; a grande flexibilidade e adaptabilidade dos fornecedores portugueses; a facilidade de comunicação reflexo da proximidade linguística e cultural, entre outros, são factores de peso e de afinidade que se pretendem estreitar.

Por outro lado, importa conhecer que ameaças se podem vislumbrar. A par do grande desconhecimento da oferta, uma enorme concorrência (em especial asiática e americana). Conhecer os interlocutores certos e ter um parceiro local para acompanhar a par e passo cada desenvolvimento do negócio, é fundamental para se ultrapassarem os obstáculos burocráticos e a desconfiança inicial. O trabalho conjunto dos diversos players no mercado internacional, é crucial.

Segundo a EIU (Economist Intelligence Unit), as projecções da evolução da economia chilena no período 2013/2015 apontam para um crescimento mais moderado da actividade económica (próximo de 5%), continuando o consumo e o investimento em níveis considerados normais para o país, depois das medidas tomadas para enfrentar os efeitos da crise financeira e económica internacional e do terramoto que afectou o Chile em 2012.

De referir que o aumento da riqueza e a criação de postos de trabalho permitirão que os chilenos continuem a usufruir do mais elevado nível de vida e de rendimento da América Latina, facto que merece relevo, bem como uma estabilização da taxa média de inflação.

O sector mineiro é um dos pilares da economia chilena (12,8% do PIB). O Chile é o primeiro produtor mundial de cobre (33,4% da produção mundial e 38% das reservas totais), de lítio (31% da produção mundial), de iodo (58% da produção mundial) e de nitrato.

O Chile, apesar de ser um mercado relativamente pequeno, é considerado o país com a economia mais livre da América Latina, com acordos de comércio estabelecidos com 60 países, o que lhe permite o acesso privilegiado a cerca de 4.300 milhões de consumidores.

Por outro lado, as autoridades chilenas têm desenvolvido uma política de atracção de investimento muito interessante, contribuindo para isso com mecanismos jurídicos claros e estáveis, bastante atractivos para investidores estrangeiros. Ou seja, de uma forma geral, as normativas caracterizam-se pela igualdade de tratamento para locais e estrangeiros, pelo livre acesso a quase todos os sectores económicos bem como pela reduzida intervenção do Estado na actividade dos investidores.

No que respeita ao relacionamento com a União Europeia, o Acordo de Associação celebrado entre ambas as partes, assinado em 18 de Novembro de 2002 entrou em vigor parcialmente em Fevereiro de 2003 e, na totalidade, após ratificação de todos os participantes, a 1 de Março de 2005, contribuindo decisivamente para um aumento em grande escala das trocas comerciais entre as partes, abrange, para além da liberdade de comércio, de serviços e acesso à contratação pública dos países signatários, outras áreas como o diálogo político e a cooperação científica e tecnológica.

De modo a promover e a reforçar o desenvolvimento das relações de investimento, foram assinados entre Portugal e o Chile diversos acordos/convenções: Acordo de Promoção e Protecção Recíproca de Investimentos; Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento; e Convenção sobre Segurança Social.

Por fim realçaria três mais-valias deste mercado. Primeira: ao investidor estrangeiro é conferido o mesmo tratamento que o concedido aos nacionais; segunda: é, igualmente, permitida a constituição de joint-ventures com empresas locais, e terceira, o Estado garante a repatriação de dividendos, lucros e royalties, naturalmente cumpridas que sejam determinadas formalidades legais junto do Banco Central chileno.

Há sem dúvida motivos para olhar para este mercado com bons olhos...e, quem sabe, Chill out.