A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) chegou hoje a um acordo histórico para cortar a produção de crude pela primeira vez desde 2008. Com o líder do grupo, a Arábia Saudita, a suavizar a sua posição face ao rival Irã, no meio da crescente pressão devido aos baixos preços da matéria-prima.

Duas fontes na OPEP, citadas pela Reuters, disseram que a organização deve reduzir a produção para 32,5 milhões de barris por dia face aos atuais 33,24 milhões.

Já sobre quanto cada país irá produzir deverá ser decidido na próxima reunião formal da OPEP em novembro, quando o convite para participar nos cortes poderá ser também estendido a países não pertencentes à OPEP, como a Rússia.

"Não sabemos ainda quem vai produzir o quê. Quero ouvir da boca do ministro do Petróleo iraniano que ele não vai voltar ao período pré sanções [da União Europeia]. Para os sauditas, isto [o acordo com o aval do Irão] contraria tudo o que ele tem dito ", disse Jeff Quigley, diretor de mercados da energia na consultora Stratas sedeada em Houston.

O ministro da Energia saudita, Khalid al-Falih, disse na terça-feira que o Irã, Nigéria e Líbia seriam autorizados a produzir "em níveis máximos que façam sentido", como parte de quaisquer limite que pode ser decidido já na próxima reunião da OPEP em novembro.

Isso representa uma mudança de estratégia para a Arábia Saudita que anunciou que iria reduzir a produção somente se os outros membros e produtores não membros da OPEP seguissem o exemplo. O Irã tem argumentado que deveria ser isento de tais limites, à medida que a sua produção recupera no pós levantamento das sanções da União Europeia no início deste ano.

As economias, saudita e iraniana, dependem, fortemente, do petróleo, mas no contexto pós-sanções, o Irã está a sofrer menos pressão desde a redução para metade dos preços em 2014 e sua economia poderá expandir-se em quase 4%, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional.

Riyadh, por outro lado, enfrenta o segundo ano de défices orçamentais após um intervalo recorde de no ano passado. Uma economia estagnada que está a ser forçada a cortar os salários dos funcionários públicos.

O preço da matéria-prima nos mercados internacionais disparou em alta a este anúncio, com o barril de Brent em Londres a subir mais de 5% para mais de 48 dólares por barril. Em Nova Iorque, o WIT cresceu quase 4% para 46,70 dólares o barril.