O Relatório do Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas (ONU), apresentado esta segunda-feira na Etiópia e dedicado ao tema do emprego, indica que a deslocalização de empresas é responsável por 55% das perdas de empregos em Portugal.

“Descobriu-se que as perdas de empregos a curto prazo devido a 'offshoring' (contratação além-fronteiras) variam de zero em alguns países, para 0.7 na Holanda e quase 55 por cento de todas as perdas de empregos em Portugal”, indica o relatório, citando um estudo da Organização Internacional de Trabalho (OIT) de 2014.

Os autores sublinham que “enquanto o offshoring parece benéfico para desenvolver regiões de alguns países, tem consequências para os trabalhadores de países desenvolvidos.”


O relatório dá o exemplo da Apple como uma empresa que recorre a ‘offshoring’ e ‘outsourcing’. A gigante norte-americana apenas emprega diretamente 63 mil funcionários de um total de 750 mil pessoas que desenham, vendem e constroem os seus produtos.

As estimativas variam, e os impactos a longo prazo são menos claros do que os efeitos a curto prazo, mas as perdas de emprego são maiores em manufatura do que em serviços”, lê-se ainda.


O relatório, com o título “Trabalho para o Desenvolvimento Humano”, analisa as ligações, positivas e negativas, entre o trabalho e desenvolvimento humano num mundo em rápida transformação, motivada pela globalização, revolução tecnológica e transições demográficas.

Portugal é ainda referido no capítulo dedicado ao desemprego entre os jovens.

“Hoje, mais de metade da população mundial tem menos de 30 anos. Esta população é tendencialmente mais saudável, tem melhor educação e consegue tirar melhor partida das tecnologias de comunicação que permitem interagir numa sociedade global. Por isso, têm expectativas mais altas em relação a trabalho, mas muitos deles não conseguem arranjar trabalho”, explica o relatório.


Em 2015, 74 milhões de jovens entre os 15 e os 24 anos estavam sem emprego e o rácio entre jovens e adultos com emprego estava no seu ponto mais alto de sempre, com níveis recorde nos estados árabes, países do sul da Europa, América Latina e Caraíbas.

“Por exemplo, o desemprego jovem em 2014 era 3.4 vezes mais alto do que o adulto em Itália, quase 3 vezes mais alto na Croácia e quase 2.5 vezes mais alto na República Checa, Portugal e Eslováquia. Em termos absolutos, também era alto – 53 por cento em Espanha, 46 por cento na Croácia, 35 por cento em Portugal e 30 por cento na Eslováquia”, indica o relatório.


Portugal mantem a posição 43 no Índice de Desenvolvimento Humano de 2015, que consta deste Relatório do Desenvolvimento Humano apresentado hoje na Etiópia.