Portugal e outros países com dificuldades económicas terão uma «alavancagem muito boa», com criação de emprego, se o acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) em discussão em Bali for aprovado, disse esta terça-feira o secretário-geral da organização.

Questionado pela Lusa sobre a crescente pobreza no sul da Europa, Roberto Azevedo apontou como uma das saídas o «pacote de Bali», um acordo de facilitação do comércio global através da redução de burocracias que está em discussão na nona conferência ministerial da OMC, entre hoje e sexta-feira nesta ilha indonésia.

«A União Europeia, de uma maneira geral, tem sido muito positiva, tem tentado contribuir para que sejamos bem sucedidos aqui em Bali e, na medida em que isso aconteça, os países que estão a enfrentar dificuldades económicas, como Portugal, terão uma alavancagem muito boa», disse o brasileiro.

Isto porque, vincou, «o pacote tende a aumentar a economia global em torno de um trilião de dólares por ano, logo é uma boa notícia para quem está sem emprego».

Abordado sobre o efeito das medidas de austeridade na economia portuguesa, o diretor-geral da OMC recomendou que o país «continue a tentar, continue a lutar», porque «não é o único país que está a enfrentar dificuldades hoje».

«Portugal está a fazer o seu trabalho de casa, como todos os países que enfrentam dificuldades. Espero que esses esforços sejam bem sucedidos», rematou o responsável, numa conversa curta no final de uma conferência da imprensa.

Aquele que poderá ser o primeiro acordo da OMC - embora menos ambicioso do que o traçado há 12 anos na Ronda de Doha com o objetivo reduzir as barreiras comerciais -, permitirá somar 960 biliões de dólares (cerca de 707 mil milhões de euros) à economia global e criar 21 milhões de empregos, segundo uma estimativa da Câmara de Comércio Internacional.

O responsável avisou, na semana passada, que a impossibilidade de chegar a um acordo «teria graves consequências para o sistema multilateral de comércio» e levaria a OMC a ser encarada apenas como um tribunal de comércio, deixando de ser vista como um fórum de discussão de acordos comerciais.

Roberto Azevedo, que assumiu o cargo em setembro, queria ter chegado a Bali com um pré-acordo, mas as negociações entre os embaixadores que tiveram lugar em Genebra durante dez semanas não chegaram a bom porto, com várias divisões, sobretudo quanto às regras para os subsídios ao setor agroalimentar.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a reunião de Bali, «apesar de não discutir todo o pacote da Ronda de Doha, tem como um dos principais resultados expectáveis um Acordo sobre Facilitação do Comércio», com o qual as exportações portuguesas ¿ que estão em crescimento - «vão beneficiar sobretudo na redução de custos administrativos e de contexto».

Portugal faz-se representar nesta conferência ministerial pelo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, e pelo secretário de Estado Adjunto e da Economia, Leonardo Mathias, que terão ainda «várias reuniões bilaterais, com o objetivo de estreitar laços comerciais e de investimento com esses países», de acordo com a mesma fonte.