A exigência de salvaguardas para conceder empréstimos aos parceiros europeus por parte da Finlândia está a condicionar a decisão de Portugal sobre se pede um programa cautelar ou não, afirmou hoje o comissário europeu Olli Rehn.

«A exigência de colaterais pela Finlândia teve um impacto negativo na decisão da Irlanda e está a ter impacto na decisão de Portugal», disse o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn, aos jornalistas em Helsínquia, citado pela agência Bloomberg.

O responsável europeu afirmou que, «para estes países, na prática, é politicamente mais sensível fazer uma saída limpa do programa, mesmo que isso seja economicamente mais arriscado».

«Durante os últimos anos, a Finlândia assumiu uma posição contrária sem ganhar qualquer benefício particular com isso, só para mostrar ao público doméstico que está a ser restrita nos processos de decisão europeus. Temos de escolher em que assuntos queremos ser restritos e fazer avançar as coisas que são importantes para a Finlândia», defendeu.

A Irlanda terminou o seu programa de assistência em dezembro de 2013, sem recorrer a um programa cautelar, que implica novas condicionalidades. Também Portugal deverá sair do resgate em curso a 17 de maio deste ano, não havendo ainda uma decisão anunciada pelo Governo sobre a forma como o país vai terminar o programa.

Olli Rehn, no entanto, defendeu hoje que a existência de uma linha de crédito cautelar é uma solução melhor: «Uma linha de crédito cautelar como a do Fundo Monetário Internacional é, geralmente, uma melhor forma de sair do resgate, para que haja um instrumento a que recorrer se a situação piorar. Normalmente, não é preciso ser usado porque os mercados sabem que ela existe», explicou.