O comissário europeu dos Assuntos Económicos considerou esta terça-feira, em Bruxelas, que ainda é «demasiado cedo para dizer algo definitivo» sobre a forma mais apropriada para Portugal deixar o seu programa de ajustamento e regressar aos mercados.

Questionado pela imprensa portuguesa, à entrada de uma reunião do Eurogrupo, sobre eventuais negociações com as autoridades portuguesas para a saída do programa de ajustamento, na sequência da polémica em torno das declarações da véspera do presidente do Banco Central Europeu (BCE), o comissário Olli Rehn insistiu que uma decisão só deverá ser tomada «nos próximos meses», e em função da «evolução económica de Portugal».

«Para já, é demasiado cedo para dizer algo definitivo, vamos ver como evolui a economia e vamos ver qual a reação dos mercados à evolução económica de Portugal», declarou o comissário dos Assuntos Económicos.

BCE já disse que cabe a Portugal tomar essa decisão e que é «demasiado cedo»

Apontando que o executivo comunitário tem «contactos contínuos com o Governo português e outras autoridades, assim como a sociedade civil», e está bem preparado «para falar com o Governo português nos próximos meses sobre quais serão as melhoras formas e meios para Portugal» sair do programa, o que está previsto para junho de 2014, Rehn escusou-se a estabelecer paralelos com o caso da Irlanda, que em novembro passado decidiu sair do seu programa sem qualquer programa cautelar ou apoio suplementar.

Segundo Rehn, «o caso irlandês é um caso próprio, e é importante que cada governo, pela sua parte, e a Comissão, pela sua, avaliem quais são de facto as formas e meios melhores e mais sustentáveis para, neste caso Portugal, sair do programa».

Por fim, o comissário reafirmou a sua convicção de que «Portugal tem boas hipóteses» de concluir com sucesso o seu programa de ajustamento.

«Vamos ver nos próximos meses qual a melhor forma» de concretizar essa saída do programa, reforçou.