O comissário europeu dos Assuntos Económicos considerou hoje, em Estrasburgo, «muito provável» uma revisão em alta do crescimento económico estimado para Portugal, até ao meio ponto percentual, dado as projeções de inverno não refletirem ainda os dados mais recentes.

«Tendo em conta que o crescimento do PIB no último trimestre do ano passado foi muito superior ao esperado, é muito provável que o crescimento económico, tanto no ano passado como este ano, fique acima dos valores projetados nesta previsão de inverno, o que poderá ser na escala de um quarto a meio ponto percentual», declarou Olli Rehn, que admite assim que o crescimento em Portugal chegue aos 1,3% em 2014 (em vez dos 0,8% antecipados).

Nas «previsões económicas de inverno» hoje divulgadas, a Comissão Europeia manteve as projeções avançadas por ocasião da décima avaliação regular do programa de assistência a Portugal, indicando que as estimativas económicas «vão ser revisitadas durante a 11.ª avaliação», que está atualmente em curso.

Tendo em conta a margem avançada por Olli Rehn, no cenário mais otimista a contração em 2013 pode quedar-se então pelos 1,1% e o crescimento no ano em curso chegará aos 1,3% do PIB.

Depois de na sua nota introdutória, na conferência de imprensa de apresentação das previsões, já ter referido que se assistiu «a uma melhoria considerável nas condições económicas de Portugal», que «não está ainda refletida» nas previsões hoje divulgadas, Rehn, em resposta a questões concretas sobre o caso português, antecipou uma revisão em alta do crescimento até ao meio ponto percentual.

Indicando que a 11ª e penúltima avaliação do programa de Portugal está em curso, sublinhou que as «projeções macroeconómicas (atualizadas) irão ser elaboradas pela troika em colaboração com as autoridades portuguesas», e já incluirão, por exemplo, «os dados do crescimento do PIB no último trimestre» de 2013.

Antecipando então uma revisão em alta numa margem entre os 0,25% e os 0,5% (quer para 2013, quer para 2014), Olli Rehn comentou que tal se «deve, em parte, a uma tendência favorável na procura interna, que reflete também uma situação no emprego melhor que o esperado».

Em conclusão, e «tendo em conta este cenário», o comissário disse acreditar «que Portugal está no caminho para concluir com sucesso o programa em maio», e reiterou que, ao longo das próximas semanas e meses, a Comissão discutirá com o Governo e os parceiros internacionais a melhor forma de sair do programa, insistindo que é demasiado cedo para decidir se é melhor uma saída limpa (como a Irlanda) ou com recurso a um programa cautelar.