O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, afirmou esta quinta-feira em Bruxelas que o défice estrutural dos países deve ser a «verdadeira referência» nas análises macroeconómicas e que a sua redução é da maior importância.

Numa conferência de imprensa, no final de um encontro com o ministro das Finanças francês, Pierre Moscovici, o finlandês defendeu que os Estados-membros devem colocar «a pressão sobre os défices públicos estruturais».

«Para nós os défices estruturais são muito mais importantes do que os défices nominais, se os Estados-membros seguirem as nossas recomendações os défices estruturais são a verdadeira referência», afirmou o comissário dos Assuntos Económicos e Monetários.

Rehn elogiou o projeto de orçamento do Estado para 2014 apresentado pelo ministro francês, apontando-o como «responsável e prudente», mas avisou para a necessidade da França e «outros Estados-membros» reduzirem o seu nível de endividamento para alcançarem a «sustentabilidade das finanças públicas».

«A França e outros Estados-membros têm um nível de endividamento excessivo e esse é um grande problema, um problema para o equilíbrio das contas nacionais, o dinheiro gasto no pagamento da dívida é dinheiro que não pode ser usado na criação de emprego, é muito importante reduzir esse nível de endividamento», declarou.

Na semana passada, a Comissão Europeia confirmou que decorrem discussões sobre uma eventual alteração na metodologia utilizada para calcular o défice estrutural dos Estados-membros, mas disse ser «prematuro presumir» que a mesma vai ser implementada e antecipar os seus impactos.

Numa resposta sobre uma notícia do «Wall Street Journal», segundo a qual a Comissão se prepara para aprovar a mudança na metodologia de cálculo do crescimento potencial do PIB, relevante para calcular o défice estrutural dos países, o que beneficiaria países em dificuldades como Portugal, o porta-voz dos Assuntos Económicos do executivo comunitário disse ser cedo para confirmar a alteração, já que as discussões em curso decorrem ainda «a um nível técnico», e tal decisão nunca poderá ser tomada por um grupo de trabalho.