A Comissão de Trabalhadores da Oitante, sociedade-veículo criada no âmbito da resolução do Banif, propôs esta terça-feira no parlamento a integração de uma parte dos trabalhadores no banco Santander Totta e dos restantes em empresas financeiras do setor empresarial do Estado.

A proposta de solução foi apresentada pelo coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT) da Oitante (ex-trabalhadores do Banif, S. A.), Luís Duarte, na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, reforçando assim afirmações que a própria CT já tinha feito anteriormente.

Perante os deputados, Luís Duarte propôs ainda o início da atividade do Banco de Fomento "com este quadro de pessoal qualificado", assim como o início da atividade de um banco que assuma a gestão dos ativos tóxicos que se encontram nos balanços dos Bancos do Sistema Financeiro Português.

A CT considera que tal permitiria "limpar o ativo das instituições Financeiras, libertando dinheiro para a economia por via da concessão de crédito".

Luís Duarte propôs ainda a alteração da situação temporal precária da empresa veículo de gestão de ativos e de gestão de outras atividades bancárias, atribuindo-lhe uma atividade que garanta a sua continuidade e transformando-a "numa empresa de ‘servicing'".

A sociedade-veículo Oitante foi criada pelo Banco de Portugal em dezembro, no âmbito da resolução do Banif, tendo sido para aí que foram transferidos os ativos que o Santander Totta não quis comprar. Esta empresa ficou ainda com os mais de 400 trabalhadores do Banif que pertenciam aos serviços centrais, enquanto o Santander Totta absorveu os cerca de 1.100 funcionários ligados à rede comercial e ainda todos os que estavam nas operações da Madeira e dos Açores.

Desde o início que os trabalhadores do Banif que passaram para a Oitante se sentiram discriminados face aos colegas que foram para o Santander Totta e que receiam que os seus postos de trabalho estejam em risco, até porque os ativos do Banif que ficaram na Oitante são para alienar, reduzindo assim as necessidades de recursos humanos da empresa.

A Oitante, que é presidida por Miguel Barbosa, que era o representante do Banco de Portugal na administração do Banif, tem já aberto um programa de rescisões a que podem concorrer todos os funcionários.