As ações da Pharol caíram cerca de 40% logo depois de voltarem a negociar em bolsa, pelas 10:00, alcançando um novo mínimo histórico de 0,075 euros. 

Esta derrapagem é uma reação ao pedido de recuperação judicial da Oi, o maior ativo da Pharol, que detém 27% da companhia brasileira. É o maior pedido de proteção de credores de sempre no Brasil, tendo a Oi como objetivo tentar manter a continuidade do negócio, 

Embora estejamos a assistir a esta forte desvalorização dos títulos da antiga PT SGPS, sendo a capitalização bolsista de cerca de 14 milhões, "em cash a Pharol tem muito menos do que isso", explicou à TVI24 João Leite, do Banco Carregosa, querendo com isto dizer que mesmo que os títulos caiam bastante, a capitalização bolsista será sempre maior do que o dinheiro em caixa da empresa, já que "os outros dois ativos são uma incógnita": a Oi e a o papel comercial da RioForte. 

Na última sessão, nenhum título trocou de mãos entre investidores, na sequência da suspensão decretada pela CMVM, já que queria mais informações sobre o pedido de recuperação juicial entregue pela Oi.

Com o levantamento da suspensão, hoje, antes da abertura do mercado, era expectável que começassem a transacionar logo depois das 08:00, o que não aconteceu. A Euronext decidiu que o regresso à negociação seria só às 10:00, dada a volatilidade do título.

Pharol mantém defesa da Oi

A Pharol enviou ontem um comunicado ao regulador de mercado indicando que "não estão previstas, no âmbito do processo de recuperação judicial da Oi, mudanças na estrutura do quadro funcional ou nos órgãos sociais das empresas Oi. Todas as obrigações laborais da companhia e benefícios atuais serão mantidos".

"A Pharol reitera a sua determinação em continuar a defender a valorização do seu principal ativo – a participação de 27,2% de ações detidas direta e indiretamente através de subsidiárias a 100% na Oi - e a sua vontade de continuar a acompanhar, de perto e com todos os meios, a evolução da Oi durante o processo de recuperação judicial".

As ações da Pharol terminaram na segunda-feira a 0,128 euros, acusando uma desvalorização de 4,47% face à sessão anterior, depois de terem caído até ao mínimo de 0,122 euros no dia 24 de maio. O de hoje renova, portanto, o valor mais baixo de sempre.

A Bloomberg noticiou ontem que o bilionário egípcio, Naguib Sawiris, está de olho na operadora de telecomunicações brasileira Oi.

A ligação da Oi e da Pharol

Este problema da Oi tem implicações para a Pharol porque foi esta empresa brasileira que ficou, após a cisão da Portugal Telecom SGPS em duas, com a responsabilidade de reembolso a quem investiu em obrigações da PT. Ora, a Pharol é a antiga PT SGPS. 

A situação financeira complicada da Oi dificulta o cumprimento de compromissos, nomeadamente para com os obrigacionistas. A pouco mais de um mês do confronto com a dura realidade estão os obrigacionistas que investiram em papéis cuja maturidade finda no próximo dia 26 de julho. E é a essa linha de obrigações que se refere o comunicado de hoje da CMVM, uma linha com o código PTPTCYOM0008.

Tal como a TVI noticiou, a 1 de junho, o relógio está a contar para o fim do prazo dessa linha e o reembolso ronda os 231 milhões de euros. Na altura da sua constituição, em 2012, eram 400 milhões, que foram subscritos ao balcão por cerca de 20 mil investidores, 18 mil dos quais subscreveram até 50 mil euros cada. Mas em 2015, com a alteração de emitente, a que levou o desmembramento da PT, foi dada aos obrigacionistas a hipótese de venderem e não passarem para a PT Internacional Finance que ficou com estas obrigações e com outras de diferentes maturidades - no total cerca de uma dezena, na maioria obrigações cuja maturidade mais longínqua vence em 2025.

Na semana passada, a Oi emitiu um comunicado dando conta de que falharam as negociações para a renegociação da dívida. E, agora, surge este pedido de recuperação judicial. Mais um fator que pode complicar a recuperação do dinheiro por parte dos obrigacionistas da PT.